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Riscos, Rentabilidade e Liquidez FINANCIAMENTO, IMPACTO NO LUCRO E NA SOBREVIVÊNCIA O segundo ponto de nosso trinômio financeiro é o financiamento do empreendimento. Neste ponto reside de fato o maior risco ao empreendimento e merecerá a maior atenção dos novos empreendedores. Particularmente em nosso país, escasso em poupança financeira, isto é, recursos livres financeiros para serem aplicados em empreendimentos privados, o financiamento dos negócios adquire papel crucial na viabilização e sobrevivência das empresas. Existem clássicamente três tipos de recursos para financiar um empreendimento. Os recursos dos sócios, os recursos de terceiros sem ônus ( que chamaremos de recursos não onerosos ) e os recursos por empréstimo ou financiamento. Os recursos dos sócios são usualmente denominados no jargão financeiro de recursos próprios. Correspondem aos aportes feitos pelos sócios ao capital da empresa e aos lucros reinvestidos. Estes são os melhores recursos que uma empresa pode dispor quanto ao aspecto de risco. Não têm prazo para serem devolvidos, na verdade só serão devolvidos pela empresa aos investidores na medida em que forem gerados lucros, e não têm obrigação de pagamentos periódicos de juros. Por isso são também chamados de recursos estáveis. Por outro lado normalmente têm um complicador. São limitados. Assim na medida em que um negócio dependa exclusivamente dos recursos próprios para o seu crescimento estará limitado ao montante dos recursos dos sócios e aos lucros gerados. Do ponto de vista de risco empresarial, o risco é mínimo com 100% de financiamento com recursos próprios. O segundo tipo de recursos denominamos de recursos de terceiros não onerosos. São típicamente crédito concedido por fornecedores. Novos negócios normalmente iniciam sem nenhum financiamento por parte de fornecedores.Na medida em que vão ganhando alguma tradição e após algumas compras pagando regularmente os fornecedores vão abrindo "limites de crédito" para a empresa. Assim uma parte dos recursos próprios podem ser substituídos por crédito dos fornecedores. Estes créditos têm a vantagem de, no limite dos prazos normais de venda do mercado, não incidirem juros ou ônus. No entanto têm uma desvantagem em relação aos recursos próprios, têm prazo certo para serem devolvidos ou pagos. No caso de empreedimentos comerciais esta é uma importante fonte de recursos. A terceira fonte de recursos são os empréstimos ou financiamentos usualmente concedidos por bancos. Aqui reside o maior risco aos negócios. Os recursos por empréstimos têm duas características que os faz aumentar o risco da empresa, têm prazo certo para serem devolvidos e exigem o pagamento de juros. Portanto ao tomar recursos por empréstimo o empresário deverá necessáriamente aplicá-los em algo que gere novos recursos até o instante de devolução do empréstimo e em montante superior aos contratados na medida em que terá de pagar também os juros. A isso denominamos compatibilizar as fontes ( os empréstimos ) com as aplicações (onde os recursos serão empregados ). Para minimizarmos o risco do negócio devemos procurar empréstimos que tenham prazo de pagamento maior que o prazo de retorno dos investimentos. Portanto ao investirmos por exemplo em uma ampliação do negócio devemos estudar cuidadosamente quanto geraremos de lucros adicionais e em quanto tempo de forma a podermos contratar os empréstimos. Vamos a um exemplo simples. Suponhamos um pequeno supermercado que esteja interessado em abrir uma segunda loja. Seus proprietários realizaram um orçamento para a nova obra. Com 700 m2 de área a nova loja custará R$ 1.500.000,00 entre o prédio e as instalações. Os proprietários já dispunham do terreno. Consultaram um Banco para o financiamento que lhes apresentou a possibilidade de financiar com uma linha de longo prazo nas seguintes condições:
Portanto vejamos como ficarão as obrigações de nosso amigo supermercadista. TABELA I - Planilha do Financiamento
É na Quarta coluna, Total de Pagamentos que o supermercadista terá de prestar atenção. Ao contrair o empréstimo estará se obrigando àqueles pagamentos. É necessário portanto avaliar cuidadosamente como se comportará a geração de lucros do novo negócio. Fossem os recursos utilizados próprios em sua totalidade ainda assim nosso amigo deveria ter a preocupação em saber se o investimento teria um bom retorno. Mas nesse caso é pior. Não só deve dar um bom retorno, é necessário que gere recursos em montante e no prazo condizente com as obrigações assumidas com o empréstimos. Então vejamos. O supermercadista estima que a loja venderá em sua capacidade máxima, R$ 600.000,00 por mês propiciando uma margem líquida de lucro de 10% sobre as vendas. Uma conta rápida demonstrou, 10% x 600.000 x 12 = 720.000 /ano. Isto é o novo empreendimento vai gerar R$ 720.000,00 de lucro por ano. Para um investimento de R$ 1.500.000,00 representa uma rentabilidade de 48% ano. Simplesmente excepcional. Vamos dar uma olhada mais cuidadosa casando as obrigações com a geração de recursos em cada período. Assim pedimos que o supermercadista fizesse uma previsão de venda em cada período e também elaboramos com êle uma previsão de lucro por período. No primeiro ano não há venda uma vez que o supermercado está sendo construído. No primeiro ano de funcionamneto o supermercado está conquistando a clientela. De fato aquela estimativa de vendas só será factível no terceiro ano. A estimativa de vendas para o negócio foi a seguinte: TABELA II - Previsão de Vendas
Com o que vimos em relação ao ponto de equilíbrio, vimos que um negócio tem custos fixos, isto é, que independem do volume de vendas. Portanto aquele lucro de 10% das vendas se aplica sò em vendas de R$ 600.000,00 por mês. Desta forma refizemos as estimativas de lucro por período. TABELA III - Previsão de Lucros
Vamos agora comparar o lucro gerado pelo empreendimento com os pagamentos necessários ao financiamento. TABELA IV - Cálculo do Saldo por Semestre
Como podemos ver pela tabela IV acima apesar do excelente retorno esperado para o investimento e da disponibilidade de financiamento para 80% do investimento e por prazo de 5 anos o empreendimento se apresenta deficitário até o 5º semestre e portanto exigirá maior volume de recursos dos sócios além dos R$ 300.000 não contemplados inicialmente por financiamento. Se acumularmos os R$ 300.000 não cobertos inicialmente por financiamento e os déficits iniciais veremos que os sócios necessitarão dispor de R$ 1.065.000 para cobrir as necessidades até o 5º semestre. Portanto neste caso podemos dizer que com relação ao prazo o financiamento não é compatível com as aplicações pois o empreendimento não está com seu caixa resolvido nos semestres 1, 2, 3, 4 e 5. Com relação ao custo o financiamento é compatível. Seu custo é de 10% ao semestre o que resulta em 21% ao ano. Como vimos a previsão de rentabilidade do investimento em regime é de 48% ao ano. (Aqui precisaríamos fazer cálculos mais precisos levando em conta os períodos deficitários. No entanto a diferença entre a rentabilidade do investimento e o custo do financiamento justifica nossa afirmação.) Quais as formas de equacionar neste exemplo?
É importante notar que não dá para partir sem que a equação seja encontrada. Agora nesse momento é fundamental refletirmos um pouco em como o financiamento amplia o risco de um negócio. Não havendo o financiamento nosso amigo supermercadista continuará com a sua primeira loja até que tenha acumulado poupança suficiente para o investimento necessário. A disponibilidade do financiamento permite que êle antecipe os gastos. No entanto êle está gastando o que não tem. E se o novo supermercado não der certo? Uma grande rede pode abrir uma nova loja perto desta nova loja inviabilizando o empreendimento. Os custso da loja podem resultar bem superiores aos previstos. Os anos seguintes podem apresentar forte recessão de mercado inviabilizando os volumes de venda planejados. Em suma um sem número de eventos podem inviabilizar o investimento apesar de todos os cuidados iniciais. Nosso amigo gastou e agora tem de pagar o financiamento tomado emprestado e com juros. Quem pagará? Eventualmente os lucros da primeira loja sejam suficientes. Nosso ponto aqui é ressaltar o que denomino, a ilusão do financiamento. Ao conseguir os recursos podemos nos iludir que os problemas estejam resolvidos. Pode muito bem ser o contrário. Se tivesse trabalhando com recursos próprios nosso amigo quando muito perderia os seus recursos extras. Em tendo financiado põe em risco todo o seu negócio. Portanto um interessante exercício a ser feito em cada fase do empreendimento, principalmente em momentos de expansão consiste em responder à questão: " e se não funcionar?" INTRODUÇÃO:VISÃO GERAL
DA QUESTÃO |
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