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Curso <em>Aprendendo a Empreender em Grupos</em>
1ª Teleconferência

Sinopse  - Novos Fatores Geradores de Riqueza

Durante muitos séculos, os filósofos buscaram formular respostas à pergunta: qual a origem da riqueza? A visão religiosa das relações sociais, que pregava a existência de um "preço justo" para todos os bens e condenava como usura o empréstimo a juros, cedera diante das exigências da vida comercial.

Nesse contexto de expansão do comércio, não foi difícil para os filósofos perceberem que o trabalho gera riqueza, enquanto a natureza fornece os generosos frutos da terra. Entretanto, há também os lucros. De onde virá o lucro? O capital criaria riqueza, como trabalho, ou seriam os lucros meramente um tributo sobre a riqueza que o trabalho gera? Daí por diante, perguntas como essa iriam fazer nascer e desenvolver a economia política.

A escola mercantilista, que floresceu justamente com o comércio ultramarino inglês, nos séculos 17 e 18, tinha uma uma doutrina bem definida: as exportações trazem riqueza ao país.

Já os fisiocratas desenvolveram seus preceitos no ambiente feudal, onde ainda estava mergulhada a França do século 18. Para eles, a terra era a única fonte de geração de riqueza. Como apenas a terra produzia um excedente, somente o proprietário da terra tinha o direito de usufruí-lo.

A crescente importância da indústria manufatureira tornou obsoleta a visão dos fisiocratas, fazendo surgir a economia clássica, que entendeu ser o trabalho o único agente fundamental de produção. Ou seja, somente a ação do trabalho humano gera riqueza.

Já a economia neoclássica, que se desenvolveu a partir da 2ª metade do século 19, entende que não somente o trabalho, mas também a espera, cria valor. Ou seja, aquele que possui uma riqueza e não a consome, gera uma poupança que, por sua vez, investida num negócio, gera valor. Portanto, capital também gera valor, para os conservadores neoclássicos.

Vivemos o século 20 sob a liderança de uma idéia banalizadora da origem do valor que somava o conjunto destes conceitos desenvolvidos nos quatro séculos anteriores: os fatores geradores de riqueza eram terra, trabalho e capital.

Geralmente, aquelas teorias econômicas foram elaboradas a partir de observações de economias nacionais. Ou seja, o estudo da riqueza das nações foi o estudo da riqueza do "meu" país, refletindo a estrutura de classes de uma determinada nação. Essas teorias terminavam sempre por defender a apropriação do lucro pelas classes dominantes.

Hoje, tendo em vista a sociedade pós-industrial e a globalização da economia, é preciso repensar os fatores geradores de riqueza de acordo com a complexidade cada vez maior que vem assumindo o desenvolvimento econômico, que tem uma característica dominante: intensivo em conhecimento.

O economista americano Roberto Reich, bem como outros autores que vêm refletindo sobre a globalização da economia, mostra-nos que a geração e a apropriação do excedente tem a ver com um fator até então praticamente desconsiderado pelos economistas: educação.

O carro chefe do desenvolvimento econômico não é mais a produção padronizada em larga escala. Os maiores excedentes são gerados e apropriados pelos produtores de alto valor. A produção de alto valor é voltada ao atendimento de necessidades particulares de consumidores específicos.

Na empresa de alto valor, os lucros não derivam da escala e do volume, mas da descoberta contínua entre soluções e necessidades.

Na produção de alto valor, não há divisão entre bens e serviços. O principal negócio de toda empresa de alto valor consiste em proporcionar serviços. Serviços especializados que visam identificar problemas, apontar soluções e promover a venda estratégica.

Quem gera valor é o trabalho, mas quem gera mais valor é o trabalho altamente qualificado. Roberto Reich chama os trabalhadores altamente qualificados de "analistas simbólicos", porque a natureza do seu trabalho é a análise simbólica: identificação de problemas, solução de problemas e venda estratégica ( que promove o encontro entre problemas e soluções ).

A análise simbólica consiste em manipular símbolos: simplificar a realidade, transformando-a em imagem abstrata, que pode ser reordenada, comunicada e transformada de novo em realidade. As ferramentas podem ser algoritmos matemáticos, argumentos legais, expedientes financeiros, princípios científicos, conhecimentos psicológicos sobre como convencer ou entreter, sistemas de indução ou dedução, ou qualquer outro conjunto de técnicas que permitem fazer puzzles conceituais.

O rendimento do trabalho do analista simbólico não depende do tempo gasto ou da quantidade de trabalho. Depende principalmente da qualidade, originalidade e da velocidade com que os analistas simbólicos resolvem, identificam ou intermediam novos problemas. Estes trabalhadores podem assumir amplas responsabilidades e controlar uma riqueza inusitada, até em idades muito jovens. Do mesmo modo, podem perder autoridade e rendimento, se não forem mais capazes de inovar, aumentando a sua experiência acumulativa.

A formação do analista simbólico não se esgota no diploma universitário. Pelo contrário, aprendem o tempo todo, durante toda a vida, constituindo-se uma longa vida de aprendizagem para o desenvolvimento e refinamento de quatro aptidões básicas: abstração, pensamento sistêmico, experimentação e colaboração.

O trabalho de alto valor não está restrito ao território nacional. A empresa de alto valor assemelha-se a uma teia de aranha, cujos fios podem estender-se ao mundo todo. O capital intelectual e o financeiro podem ter origem em qualquer lugar, sendo que o poder e a riqueza fluem para os pontos da teia que acumulam as qualificações mais valiosas na identificação e soluçõo de problemas e na intermediação estratégica entre os dois.

Os intermediários estratégicos estão no centro da teia empresarial global, fazendo a coordenação dos inúmeros pontos da rede através da gestão de centenas ou milhares de contratos que regem o casamento entre problemas e soluções. Em cada ponto da teia, situa-se um número relativamente pequeno de pessoas, onde as qualificações individuais combinam-se de tal forma que a capacidade de inovação do grupo é maior do que a soma das partes.

 

* Esta sinopse baseou-se em diversas obras, especialmente:

ROBNSON, Joan, EATWELL, John. Introdução à economia, Livros Técnicos e Científicos; Rio de Janeiro, RJ, 1979

HANDY, Charles. Além do capitalismo - A busca de um propósito e um sentido de vida no mundo moderno; Makron Books, São Paulo, SP, 1999.

REICH, Robert B. O trabalho das nações; Quetzal Editores, Lisboa, Portugal, 1993.

Roteiro

Roteiro da entrevista com o Prof. Waldimir Pirró e Longo 

Parte I : O passado e seus paradigmas

I.1 - A formação profissional dos que nasceram na primeira metade do século, e até mesmo de muitos que nasceram depois, esteve baseada nos paradigmas da 2ª revolução industrial. Que paradigmas eram estes?

I.2 - Quem eram os ricos no Brasil desta época? O que explicava as suas riquezas? Riqueza hereditária? Trabalho? Propriedade da terra? Educação?

I.3 - Quais eram as nações ricas e por que eram ricas?

Parte II - Riqueza hoje

II.1 - A riqueza está mudando de mãos. Quem são hoje os novos ricos? O que eles produzem, como produzem, qual a formação dessas pessoas?

II.2 - No Brasil, e mesmo em países considerados desenvolvidos, ocorre um processo de concentração da riqueza: os ricos ficam mais ricos e os pobres, mais pobres. O que explica isso?

II.3 - Na década de 70, o ex-ministro Langoni, então professor da FGV do Rio, fez uma tese que mostrava que a distribuição de renda no Brasil era um função da educação: quanto mais educação, mais rico; quanto menos educação, mais pobre. Na época, ele foi, por isso, muito criticado pela intelectualidade. Passados mais de 20 anos, qual a relação que há entre riqueza e educação no país?

II. 4 - Apesar de toda importância que a educação tem para as nações, existem outros fatores associados a ela que explicam o sucesso e a riqueza? Se não, como explicar a situação de Cuba, que conseguiu universalizar a educação e está numa situação econômica difícil? E do Japão, que todo mundo buscava explicar o crescimento econômico pelo alto nível e qualidade da educação japonesa no pós-guerra? Quais os fatores que, associados à educação, explicam a riqueza de um país?

II.5 - E no caso individual, o que explica a riqueza acumulada por pessoas com nível educacional formal relativamente baixo? Muitos jovens deixam de estudar, achando que podem ter a mesma sorte de astros como Xuxa e Ronaldinho. O caso do Bill Gates também é muito interessante a esse respeito: abandonou a universidade e ficou rico muito jovem. Esses exemplos, são a regra ou são casuais, fatuais?

III - Oportunidades hoje e no futuro

III.1 - As pessoas que nos assistem talvez não precisem ou não queiram ser exatamente ricas, mas certamente precisam encontrar oportunidades de trabalho para viver com dignidade. Na sua opinião, onde estão essas oportunidades hoje?

III.2 - O senhor tem falado em várias palestras e entrevistas que a educação é um setor de grandes oportunidades. E, de fato, o que vemos é surgir grandes escolas e universidades de uma hora para outra constituindo grandes patrimônios. A educação virou um negócio? Isso não conflita com a natureza da educação, que durante muito tempo foi entendida como um serviço básico, cuja distribuição igualitária de oportunidades deve ser garantida pelo Estado?

III.3 - As pessoas que nos assistem são empreendedores ou potenciais empreendedores. O que o senhor indica para tais pessoas como caminhos a serem percorridos: a que tipo de empreendimentos devem se dedicar, que qualificações devem obter, que tipos de parcerias devem procurar para obter recursos e competências para empreender?

III.4 - Vamos fazer um "bate bola" de associações de palavras. Eu digo uma palavra e o senhor diz a frase que achar adequada para contextualizar a palavra para o mundo de hoje:

  • Tecnologia
  • Trabalho
  • Cultura
  • Lazer
  • Poder
  • Globalização
  • Brasil empreendedor
  • Esperança

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