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Curso <em>Aprendendo a Empreender em Grupos</em>
1ª Teleconferência

Sinopse  - A Nova Teoria da Firma

As teorias econômicas tradicionais entendem a firma como uma função de produção, ou seja, uma relação mecânica entre insumos e produtos, associados a uma determinada tecnologia. Desde a década de 30, este conceito foi revisto por Ronald Coase, Prêmio Nobel de Economia, possibilitando uma visão bem mais realista da empresa moderna.

A firma é entendida pela Economia das Organizações ( ou Nova Economia Institucional ou Nova Teoria da Firma ) como uma relação orgânica entre agentes, que se realiza através de contratos, sejam eles explícitos, como os contratos de trabalho, ou implícitos, como uma parceria informal.

Apesar dessa idéia não ser tão nova e ser tão importante para a compreenssão atual do funcionamento das organizações, ela é pouco estudada nos cursos de economia e administração. A teoria econômica, tal como ainda é ensinada na maioria dos cursos no Brasil, é voltada para a compreensão do funcionamento dos mercados e não para o funcionamento das organizações. Por outro lado, a teoria das organizações ensinada na maioria dos cursos de administração no Brasil tem caráter meramente descritivo, sem desenvolver teorias que permitam entender as razões ou as relações causais pelas quais uma organização se multidivide, sub-contrata atividades ou o que induz o crescimento vertical da firma.

Assim, fica difícil para os profissionais formados nestes cursos explicar os processos de reengenharia das organizações, por faltar uma teoria que lhes dê o suporte necessário. Na visão tradicional, o mecanismo de preços é o único alocador de recursos na economia. Se assim fosse, não haveria nada que pudesse ser feito para melhorar a arquitetura das organizações.

A partir da idéia, também desenvolvida por Coase, de que os mercados também têm custos associados ao seu funcionamento, surge a possibilidade para ampliar os preceitos neo-clássicos de minimização de custos, antes associados apenas aos custos mensuráveis dos fatores de produção, passando a incorporar os custos de transação, definidos como os custos de mover o sistema econômico. Aí estão incluídos tanto os custos de achar quais os preços relevantes, que por sinal são perfeitamente incorporados pela teoria tradicional, como outros custos de desenho, estruturação, monitoramento e garantia da implementação dos contratos.

Dessa forma, a firma moderna pode ser entendida como um conjunto de contratos entre agentes especializados, que trocarão informações e serviços entre si, de modo a produzir um bem final. Os agentes podem estar dentro de uma hierarquia, que é o que convencionalmente chamamos de firma. Podem, entretanto, estar fora dessa hierarquia, relacionando-se extra-firma, mas agindo motivados por estímulos que os levam a atuar coordenadamente.

As relações contratuais, estejam elas ocorrendo entre firmas ou dentro delas, carecem de algum tipo de coordenação. Se ocorrerem dentro das firmas, entende-se que o coordenador poderá ser o empresário, cujos objetivos em geral são bem definidos. Se ocorrerem entre firmas, naturalmente surgirá a questão da divisão dos resultados. Mesmo quando as transações ocorrerem dentro das firmas, existe o problema a respeito dos direitos de propriedade sobre os resíduos, que são parcialmente definidos contratualmente entre os empregados e os acionistas.

Isso nos leva a indagar a respeito da formatação eficiente dos contratos, de tal modo que a arquitetura da firma reflita um arranjo que induza os agentes a cooperarem visando a maximização do valor da empresa. Dessa forma, surge a necessidade de compreender-se quais os elementos associados à formatação e desenho dos contratos, definição de direitos de propriedade sobre os resíduos, formas de monitoramento e cláusulas de ruptura contratual. Tais são os elementos relevantes para a Teoria dos Contratos, que permitem a busca de um desenho da arquitetura das organizações.

* Esta sinopse foi baseada, com trechos extraídos, no artigo "Economia das Organizações" de Décio Zylberzstajn , publicado neste site. Clique aqui e leia este artigo para saber mais sobre o tema abordado na teleconferência 1 do Curso "Aprendendo a Empreender em Grupos" do Projeto E.

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