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13.
BUSCANDO
RECURSOS
E
APOIO
PARA
EMPREENDER
|

É
fácil
abrir
uma
micro
e
pequena
empresa
no
Brasil?
O
governo
ajuda
ou
atrapalha?
Júlio
Sérgio:
Não
é
fácil
aqui
como
também
não
é
fácil
em
outros
países.
O
governo
tem
ajudado
em
muitas
coisas.
Cito,
por
exemplo,
a
criação
do
SIMPLES*
como
prova
disto.
Não
é
fácil
por
outras
coisas.
Primeiro,
as
oscilações
de
mercado
não
ajudam
o
empreendedor,
o
pequeno
negócio.
Segunda
questão,
deve
haver
uma
rede
maior
de
proteção
aos
pequenos
negócios
através
das
organizações
empresariais.
Eu
me
refiro
aos
SEBRAEs,
às
federações
da
indústria,
às
associações
empresariais
e
ao
próprio
IEDI
que
devem
dar
um
pouco
mais
de
atenção
e
de
amparo
aos
pequenos
empreendimentos.
Terceiro,
acho
que
a
política
industrial
deveria
dar
mais
atenção
às
micro,
pequenas
e
médias
empresas
industriais
em
termos
de
tributação,
facilidade
de
obtenção
de
crédito,
orientação
de
mercado,
orientação
de
exportação
etc.
Tudo
isto
compõe
um
quadro
em
que
o
Brasil
fica
muito
a
dever.
Insisto
que
esta
questão
é
complicada
no
mundo
todo.
Beatriz,
quais
os
mecanismos
que
o
governo
tem
para
ajudar
os
pequenos
e
micro
empresários
a
levantar
os
seus
negócios?
Beatriz
Azeredo:
Temos
em
relação
às
micro,
pequenas
e
médias
empresas
uma
velha
questão
e
um
fato
novo.
A
antiga
questão
é
a
excessiva
vulnerabilidade
a
que
estão
expostas,
como
o
Júlio
se
referiu.
É
muito
fácil
criar
uma
empresa
e
é
fácil
ela
morrer.
Isto
é
fato
antigo
e
que
todos
se
deparam.
Agora,
a
questão
nova
refere-se
às
profundas
mudanças
nas
estrutura
produtiva
de
qualquer
país,
profundas
mudanças
nas
relações
no
mercado
de
trabalho
introduzindo
novas
formas
de
ocupação
e
geração
de
renda.
Estas
mudanças
têm
criado
uma
sensibilidade
e
um
ambiente
positivo
para
esta
questão.
Hoje
observa-se
mais
atenção,
ainda
que
insuficiente,
das
organizações
empresariais
e
do
próprio
governo
e
produtos
específicos
sendo
desenvolvidos
para
financiar
estas
empresas.
No
caso
do
BNDES,
quais
os
produtos
específicos
para
financiar
as
pequenas
e
micro
empresas?
Beatriz
Azeredo:
Em
primeiro
lugar,
o
BNDES
é
um
banco
de
segunda
linha
operando
através
de
uma
rede
de
agentes
financeiros,
dos
bancos
comerciais
atuando
no
país
inteiro.
Portanto,
o
BNDES
tem
programas
e
linhas
de
créditos
para
as
micro,
pequenas
e
médias
empresas**.
Na
área
social
especificamente,
temos
trabalhando
com
dois
produtos.
Um
é
o
Programa
de
Crédito
Produtivo
Popular,
o
chamado
microcrédito,
voltado
para
o
pequeno
empreendedor,
do
mercado
informal
ou
formal,
que
não
tem
acesso
ao
sistema
bancário
tradicional.
Tem
no
país
uma
rede
de
organizações
não
governamentais,
em
diversas
capitais
do
país,
em
todas
as
regiões,
que
operam
com
recursos
do
BNDES
fazendo
chegar
o
crédito
a
quem
não
tem,
muitas
vezes,
nem
conta
bancária,
garantias
a
oferecer,
mas
que
tem
um
pequeno
negócio
e
depende
dele
para
sobreviver.***
O
que
o
banco
exige
do
empreendedor
para
lhe
emprestar
este
dinheiro?
Beatriz
Azeredo:
De
modo
geral
o
microcrédito
não
exige
garantias.
A
idéia
é
justamente
esta:
fazer
chegar
este
crédito
a
quem
não
pode
oferecer
garantias.
Trata-se
de
metodologia
nova
que
busca
entender
aquele
negócio
apresentado
pelo
pequeno
empreendedor
e
o
seu
potencial
de
pagamento.
O
agente
de
crédito,
a
ONG,
está
preparado
e
treinado
para
sentar
junto
com
o
pequeno
empreendedor
e
entender
a
sua
necessidade
de
crédito,
sua
capacidade
de
pagamento
e
criar
uma
relação
de
confiança.
É
esta
relação
de
confiança
que
permite
emprestar
sem
garantia
real.
E
o
segundo
produto
da
área
social
do
BNDES
que
você
se
referiu?
Ele
é
voltado
a
autogestão?
Beatriz
Azeredo:
Sim,
é
um
programa
que
visa
oferecer
créditos
aos
Projetos
de
Autogestão
e
Co-gestão.
Neste
primeiro
momento,
é
o
próprio
BNDES
que
está
operando
direto
porque
se
trata
de
uma
realidade
muito
incipiente
no
país.
São
voltados
às
organizações
geridas
pelos
próprios
trabalhadores.
Isto
é
uma
coisa
bastante
nova.
O
papel
do
BNDES
neste
momento
é
operar
diretamente,
mostrar
que
isto
pode
dar
certo
e
"seduzir"
a
rede
bancária
para
começar
a
operar
com
este
cliente.****
E
qual
o
limite
deste
crédito?
Beatriz
Azeredo:
Não
existe
um
limite.
Vai
depender
da
demanda
do
cliente.
Vou
dar
um
exemplo:
a
CERJ
-
Central
de
Energia
Elétrica
do
Estado
do
Rio
de
Janeiro
foi
privatizada
e
um
conjunto
de
trabalhadores
altamente
qualificados
foi
mandado
embora.
Estes
criaram
uma
associação
de
trabalhadores
que
participaram
de
uma
concorrência
internacional
para
prestar
serviços
para
o
ex-empregador.
Eles
ganharam
esta
concorrência.
Trata-se
de
caso
típico
de
um
movimento
que
está
ocorrendo
no
mercado
de
trabalho
brasileiro:
são
pessoas
maduras
no
mercado
de
trabalho,
com
qualificação
e
experiência
específica
e
que
com
a
privatização
e
terceirização
ficam
desempregadas.
No
exemplo
a
que
me
referi,
ex-funcionários
da
CERJ
criaram
a
Tecsel*****
para
prestar
este
serviço
ao
antigo
empregador.
O
BNDES
entrou
com
o
financiamento
que
possibilitou
à
a
esta
empresa
autogestionada
a
cumprir
este
primeiro
contrato.
E
quais
os
resultados
deste
processo?
A
Tecsel
está
dando
certo?
Beatriz
Azeredo:
Vai
muito
bem.
Eles
começaram
há
um
ano
atrás
com
20
cooperados
e
hoje
já
contam
com
180
cooperados.
Conseguiram
este
empréstimo
no
BNDES
de
R$
500.000,00
(quinhentos
mil
reais)
para
comprar
veículos,
equipamentos
e
alguma
instalação.
Qual
o
papel
sócio-econômico
destes
pequenos
empreendimentos?
Júlio
Sérgio:
No
mundo
todo,
as
micros,
pequenas
e
médias
empresas
têm
ganho
muita
importância.
Esta
categoria
de
empreendimento
tem
importância
antiga
do
ponto
de
vista
tecnológico.
São
incubadoras,
impulsionadoras
do
progresso
técnico.
Este
é
o
papel
clássico.
Hoje
em
dia,
esta
importância,
sobretudo,
é
pela
capacidade
destas
empresas
gerar
empregos.
Esta
é
uma
questão
decisiva
no
mundo
todo.
Em
alguns
países,
estas
empresas,
organizadas
em
consórcios,
têm
papel
muito
importante
nas
exportações.
O
governo
tem
estudado
a
criação
de
novas
instituições
financeiras
para
ampliar
o
crédito
para
estes
empreendimentos?
Beatriz
Azeredo:
Isto
está
começando
a
mudar
até
a
partir
da
experiência
do
BNDES
com
o
crédito
popular.
Este
programa
existe
desde
os
meados
de
1996.
Num
primeiro
momento,
tratava-se
de
demonstrar
que
instituições
que
trabalham
com
fornecimento
de
crédito
ao
pequeno
empreendedor,
são
viáveis
e
capazes
de
gerar
receitas
e
se
pagar.
Ou
seja,
isto
é
um
negócio
e
que
não
precisa
de
recursos
do
governo
para
bancar
isto.
Estas
instituições
financeiras
estão
espalhadas
pelo
país
comprovando
isto.
Estamos
entrando
num
segundo
momento
em
que
há
o
reconhecimento
do
governo
central,
do
Conselho
Monetário
Nacional,
de
que
há
que
se
olhar
para
este
setor
e
ordená-lo.
É
importante
que
estas
instituições
tenham
um
quadro
técnico,
formado
pelos
agentes
de
crédito,
especializados
no
pequeno.
Estas
instituições
têm
que
entender
a
linguagem
do
pequeno
empreendedor.
Tem
que
se
desenvolver
a
idéia
do
crédito
consecutivo.
Ou
seja,
o
pequeno
empreendedor
pede,
por
exemplo,
o
capital
de
giro
e
esta
ONG
atende.
Se
pagar
-
e
paga,
porque
tem
se
demonstrado
isto:
é
um
crédito
que
roda
com
facilidade
-
ele
pode
pedir,
por
exemplo,
capital
para
comprar
um
equipamento
usado.
É
o
caso
desta
ONG
financeira
verificar
e
orientar
este
empreendedor,
se
é
isto
mesmo,
estudar
se
não
tem
outra
alternativa,
que
produto
está
sendo
feito,
se
não
há
um
intermediário
etc.
Portanto,
hoje
estamos
vivendo
este
momento
que
o
governo
está
olhando
para
esta
questão
e
abrindo
espaço
para
o
crescimento
destas
instituições
de
crédito
popular.
Em
que
fontes
estas
instituições
especializadas
no
microcrédito
podem
se
apoiar?
Beatriz
Azevedo:
Hoje,
elas
têm
a
fonte
do
BNDES
que
não
tem
orçamento
limitado
para
isto.
Qualquer
ONG
especializada
em
microcrédito
tem
acesso
direto
a
estes
recursos
do
BNDES.
O
BID
-
Banco
Interamericano
de
Desenvolvimento
há
20
anos
vem
fornecendo,
na
América
Latina,
créditos
para
estas
instituições
que
em
outros
países
latinos
já
se
tornaram
financeiras.
Tem
outros
organismos
internacionais
que
também
investem
nisto.
Você
concorda
com
esta
perspectiva
de
que
está
havendo
uma
mudança
para
melhor
no
que
diz
respeito
aos
recursos
disponíveis
para
os
pequenos
empreendimentos?
Júlio
Sérgio:
Não
podemos
esquecer
que
este
país
sempre
está
tendo
iniciativas
e
sempre
criando
alternativas
positivas.
Mas
precisamos
avançar
mais.
Se
amanhã
a
gente
conseguir
resolver
os
problemas
que
temos
hoje
e
entrarmos
,
queremos
todos,
numa
fase
de
crescimento,
é
preciso
ter
alavancas
para
as
micro,
pequenas
e
médias
empresas
porque
é
aí
que
está
o
emprego.
É
isto
mesmo:
estas
empresas
são
as
que
podem
gerar
mais
empregos?
Júlio
Sérgio:
A
grande
elasticidade
do
emprego
está
aí.
A
não
ser
que
haja
uma
taxa
de
crescimento
do
produto
muito
grande
e
continuada,
como
ocorre
nos
Estados
Unidos
agora.
Neste
caso,
a
grande
organização
pode
gerar
empregos
significativamente.
Agora,
a
elasticidade
primeira
está
nas
menores.
Você
que
estuda
política
industrial,
onde
está
o
nicho
de
mercado
para
o
pequeno
empreendedor?
Júlio
Sérgio:
Está
onde
a
grande
empresa
não
tem
agilidade,
ou
num
setor
novo,
ou
num
setor
de
pequena
escala.
Mas
o
pequeno
empreendedor
não
tem
capacidade
para
pesquisar
e
explorar
os
novos
segmentos...
Isto
não
é
perigoso?
Júlio
Sérgio:
Razão
pela
qual
a
política
industrial
é
muito
importante,
principalmente
para
determinados
segmentos
das
pequenas
e
médias.
Vou
dar
um
exemplo:
a
organização
do
tipo
aglomerado
-
que
existe
muito
na
Itália
e
que
permite
que
aquele
país
tenha
a
pequena
e
média
responsável
por
quase
50%
das
exportações
-
é
um
tipo
de
iniciativa
de
governo
que
envolve
os
níveis
federal,
regional
e
municipal.
No
Brasil,
temos
já
exemplo
disto:
no
Ceará,
em
Minas
Gerais
e
no
sul
do
país.
A
idéia
do
aglomerado
é
a
seguinte:
você
reúne
e
coordena
os
diversos
incentivos,
nenhum
grande,
mas
um
conjunto
de
incentivos,
que
abarca
desde
a
formação
profissional,
a
informação
de
mercado,
a
informação
tecnológica,
a
informação
financeira.
Tem
também
os
incentivos
tradicionais
como
a
doação
da
infraestrutura,
terreno,
algum
incentivo
para
a
construção
do
galpão,
algum
tipo
de
incentivo
fiscal.
É
um
sistema
que
fomenta
muito
a
concorrência.
Mas
na
exportação,
o
que
prevalece
é
a
cooperação.
Eu
acho
que
o
governo
e
as
organizações
empresariais
devem
ter
uma
perspectiva
mais
forte
para
fomentar
a
industrialização
que
tem
duas
dimensões:
a
dimensão
regional
-
facilitando
e
estimulando
a
vocação
regional
-
e
a
dimensão
nacional.
Beatriz
Azeredo:
Eu
gostaria
de
agregar
uma
questão
sobre
oportunidades
existentes
para
geração
de
empregos
e
novos
empreendimentos.
Além
destes
que
o
Júlio
falou,
tem
o
terceiro
setor
que
não
está
explorado
suficientemente.
São
as
fundações
que
trabalham
em
projetos
sociais,
as
organizações
não
governamentais,
as
entidades
sem
fins
lucrativos
e
outras.
Elas
estão
num
amplo
movimento
de
organização
e
estruturação
e
demandam
mão
de
obra
qualificada.
O
papel
do
Estado
está
sendo
alterado,
ele
é
responsável
pelos
serviços
sociais
básicos,
mas
ele
não
precisa
executar
e
pode
contratar
estas
organizações
para
fornecer
estes
serviços,
como
é
o
caso,
das
prefeituras
que
compram
serviços
sociais.
Ou
seja,
tem
espaço
para
empreender
na
área
social
e
que
podem
contar
com
financiamentos
para
se
estruturar
e
vender
serviços
para
o
governo.
*
SIMPLES
é
o
Sistema
Integrado
de
Pagamento
de
Impostos
e
Constribuições
das
Microempresas
e
das
Empresas
de
Pequeno
Porte
conforme
Lei
n.º
9.3l7,
de
05
de
dezembro
de
1996.
Maiores
informações
sobre
o
SIMPLES
ver
no
site
http://www.receita.fazenda.gov.br,
clicando
no
botão
legislação.
**
Para
saber
sobre
as
regras
e
os
agentes
credenciados
para
financiamentos
do
BNDES
voltados
às
micro,
pequenas
e
médias
empresas,
visite
a
página:
http://www.bndes.gov.br/atuar/mpm.htm.
***
Para
saber
mais
sobre
o
Programa
de
Crédito
Produtivo
Popular,
da
área
social
do
BNDES,
visite
a
página
http://www.bndes.gov.br/atuar/popular.htm.
****
Para
saber
mais
sobre
o
programa
de
financiamento
de
Projetos
de
Autogestão
e
Co-gestão,
da
área
social
do
BNDES,
visite
a
página
http://www.bndes.gov.br/atuar/cogestao.htm.
*****
Tecsel
é
o
nome
fantasia
da
Cooperativa
de
Trabalho
dos
Profissionais
Técnicos
Eletricitários
Ltda.,
cujo
endereço
na
web
é:
http://www.tecsel.com.br.
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