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10.
APRENDENDO A EMPREENDER
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O
ensino de empreendedorismo
no Brasil:
uma metodologia revolucionária
Fernando
Celso Dolabela Chagas
Este
texto descreve uma metodologia
inédita para o
ensino de empreendedorismo
no segundo e terceiro
graus, cuja construção
e fundamentos permitem
a disseminação
em larga escala deste
tipo de ensino. São
os apresentados os resultados
obtidos em projetos que
utilizaram tal metodologia
em diferentes níveis
e contextos educacionais
através dos quais
o ensino de empreendedorismo
já foi inserido
em cerca de 100 instituições
de ensino de todo o País,
em um período de
dois anos.
O
contexto do ensino de
empreendedorismo
A
introdução
de disciplinas de empreendedorismo
tem um caráter
revolucionário,
já que acresce
à vocação
tradicional de formação
de empregados e acadêmicos,
aquela do empreendedorismo,
mais adequada aos novos
formatos das relações
de trabalho decorrentes
da restruturação
da economia mundial neste
final de século.
O
ensino de empreendedorismo
significa uma quebra de
paradigmas na nossa tradição
didática, uma vez
que aborda o saber como
conseqüência
dos atributos do ser.
Assim, na sala de aula,
elementos como atitude,
comportamento, emoção,
sonho, individualidade,
ganham vaga antes ocupada
somente pelo saber. Pesquisas
junto aos alunos demonstram,
surpreendentemente, que
eles consideram este ensino
fundamental mesmo para
aqueles que não
pretendem abrir empresas,
e cuja vocação
é, por exemplo,
para a área acadêmica.
Tais resultados conduziram
a indagações
e análises sobre
o conteúdo da formação
profissional oferecido
aos nossos alunos, frente
às exigências
do mercado. De fato, a
realidade conceitual trabalhada
em sala de aula difere
da sua aplicação
no mundo não teórico.
Por
outro lado, levantamentos
feitos juntos a empreendedores
apontam que o conhecimento
da tecnologia do produto
pode representar algo
entre 5 e 15% da solução
global na empresa. Ou
seja, os conhecimentos
adquiridos em cursos de
base tecnológica
no Brasil (alguns do mesmo
nível de equivalentes
no primeiro mundo), contribuem
com um baixo percentual
na solução
dos problemas a serem
enfrentados na criação,
desenvolvimento e venda
de um produto. Esta conclusão
conduz inevitavelmente
a reflexões sobre
os programas curriculares
em todos níveis
de ensino. No ensino do
empreendedorismo são
abordados conceitos que
regem a realidade nas
relações
de trabalho: a emoção
(nas empresas, o quociente
emocional substitui o
quociente intelectual),
a ênfase no ego,
a capacidade de convivência
com a ambigüidade
e incerteza, a aplicação
no contexto dos conhecimentos,
o desenvolvimento do processo
visionário. Lida
também com fatores
de natureza cultural,
(valores, atitudes, comportamentos,
visão do mundo)
determinantes do grau
de empreendedorismo de
uma região, de
uma comunidade.
A
disciplina prioriza o
comportamento (o ser)
em relação
ao saber como um fim em
si mesmo. Desta forma,
o objetivo final da disciplina(1)
não é instrumental.
A proposta não
é a transmissão
de conhecimentos, mas
o esforço no desenvolvimento
de características
pessoais necessárias
ao empreendedor de sucesso.
Não se visa a criação
de empresas de sucesso,
mas sim a formação
de empreendedores de sucesso.
Para estes últimos,
o eventual fracasso da
empresa é visto
antes como um resultado,
com o qual saberão
aprender. A atividade
de empreender, representada
principalmente pela identificação
e aproveitamento constante
das oportunidades, faz
parte da rotina do empreendedor.
Apesar
de estar ainda em fase
pré-paradigmática
enquanto ciência,
o empreendedorismo consegue
propor conceitos que permitem
a identificação
de condições
de sucesso na criação
e gestão de negócios.
Assim, o ensino nessa
área fundamenta-se
da análise de algumas
características
básicas, fundamentalmente
comportamentais, encontradas
no empreendedor de sucesso.
A ênfase na construção
de um perfil de empreendedor
(perfil este que conduz
a uma capacidade de aquisição
pró-ativa de know-how),
e não somente na
aquisição
de um estoque de conhecimentos,
é ilustrada por
uma pesquisa relatada
por Timmons(2),
em que capitalistas de
riscos direcionados para
empresas de base tecnológica,
ao escolher empresas onde
investir, dão prioridade
absoluta para o empreendedor,
relegando a um segundo
nível a definição
do produto e a sua viabilidade
mercadológica,
já que "se
alguém tem um boa
equipe, pode mudar o produto".
As
questões centrais
do ensino de empreendedorismo
Questões
fundamentais, algumas
configurando verdadeiros
paradoxos, surgiram como
desafio a uma proposta
metodológica que
pudesse equacioná-las.
A primeira questão
diz respeito a indagações
sobre como e em que condições
pode se verificar o ensino
nesta área. O que
ensinar? É possível
ensinar alguém
a se tornar empreendedor?
Como fazê-lo? O
empreendedor nasce pronto,
é resultado de
genes favoráveis?
São indagações
similares àquelas
feitas em relação
ao gerente, há
50 anos. Uma conclusão
que decorre das pesquisas
mostra que é possível
aprender-se a ser empreendedor,
mas certamente sob condições
diferentes daquelas propostas
pelo ensino tradicional.
A
segunda questão
emerge da discussão
precedente e pode ser
enunciada da seguinte
forma: a universidade
está capacitada
a ensinar o empreendedorismo,
considerando-se os seus
métodos tradicionais
de ensino, o estágio
não estruturado
do ramo do conhecimento,
e ainda, levando em conta
que o empreendimento na
área de negócios
não é prática
dos nossos campi universitários?
A
terceira questão
refere-se ao perfil do
professor desta disciplina.
Qual o seu papel num programa
didático em que
o comportamento é
o alvo maior, e em que
o conhecimento não
é transmitido pelo
mestre, mas gerado pelos
próprios alunos,
no processo de elaboração
da sua visão de
empresa, na auto-avaliação
do seu comportamento,
na construção
de seus métodos
próprios de aprendizado,
na forma pró-ativa
de agir? Qual o papel
do professor tradicional
no seu mister de ensinar
empreendedorismo, área
em que as relações
com o ambiente natural
do empreendedor constituem
a fonte essencial de conhecimento/aprendizado?
Nesta área, a conexão
do aluno com o mundo exterior
à universidade
precisa ser intensa e
sem intermediários.
O verdadeiro ambiente
"acadêmico"
do aluno-empreendedor
é o mercado, onde
se articulam forças
produtivas, econômicas,
sociais, políticas.
Nesse contexto, o estoque
de conhecimentos do qual
o empreendedor necessita
é altamente mutante
e contingente. O saber
confunde-se com a capacidade
de percepção
do comportamento do mercado
concorrente, composto
por conjuntos de pessoas
cujas ações
provocam a sua transformação
constante que, por sua
vez, é geradora
do alvo que o empreendedor
incansavelmente persegue:
a oportunidade.
Como
entender e abordar esta
inversão do campus
acadêmico? Como
vencer o paradoxo do ensino
pela universidade de um
conhecimento que ela ainda
não domina? Alguns
pesquisadores acham que
é possível
aprender-se a ser empreendedor.
Outros acham que é
possível ensinar.
A metodologia proposta
para a disciplina aborda
o problema de forma pragmática.
Enquanto tais questões
são discutidas
no meio acadêmico,
há, em todo o mundo,
uma febre de criação
de empresas e de ensino
de empreendedorismo. (3)
Se
a universidade, por seus
objetivos e missão,
não empreende na
área de negócios,
a metodologia proposta
responde convidando empresários
a assumirem o papel de
mestres, lado a lado com
o professor. Se os elementos
essenciais ao empreendedor
são a sua capacidade
de criar, definir a partir
do indefinido, de aprender
constantemente a partir
da ação,
enfatizam-se no curso
características
comportamentais de criatividade,
do pensamento difuso,
da parceria definitiva
dos dois lados do cérebro,
do conhecimento autônomo,
pró-ativo, do aprender
a aprender. Se o importante
neste campo é antes
ser do que saber, invertem-se
os papéis entre
professores e alunos,
como inverte-se o fluxo
do saber. Os alunos são
os agentes de geração
de um conhecimento individualizado,
da adoção
de comportamentos adequados
à realização
da sua visão.
Os
pressupostos da formação
do empreendedor baseiam-se
mais em fatores motivadores
e habilidades comportamentais
do que em um conteúdo
puramente instrumental.
Esta característica
irá provocar, como
se verá mais tarde,
mudanças radicais
na abordagem educacional,
tanto em termos de orientação
profissional, uma vez
que as nossas universidades
estão mais voltadas
para a formação
do empregado de grandes
empresas, como no que
diz respeito à
própria metodologia
de ensino, já que
no campo de criação
de empresas o objetivo
não é a
transferência de
conhecimentos, mas a geração
de conhecimentos pelo
ator do processo, o aluno.
Portanto, os papéis
do professor e do aluno
são transformados:
aquele é somente
um agente indutor do processo
de auto-aprendizado pelo
aluno, cuja tarefa é
o desenvolvimento de habilidades
comportamentais inspiradas
na própria bagagem
(formação)
existencial/psicológica.
O saber específico,
instrumental, é
conseqüência
da forma de ser, da atitude
diante dos objetivos de
se criar um negócio.
A empresa é uma
projeção
e extensão do próprio
ego.
No
que diz respeito ao ensino
de empreendedorismo a
questão é
resolvida, mais uma vez,
de forma pragmática.
Experiências de
sucesso, em todos os níveis
de ensino (inclusive do
primeiro grau)(4),
têm sido realizadas
em todo o mundo. Sabe-se
que fatores fundamentais
para o desenvolvimento
do espírito empreendedor
apoiam-se, entre outros,
em elementos tais como
a motivação
à auto-realização,
iniciativa e persistência,
energia, liderança,
capacidade de desenvolver
uma visão(5)
(idéia
de empresa), suportada
por uma rede de relações
pessoais.
A
metodologia proposta para
o ensino de empreendedorismo
Desafios
O
maior desafio na elaboração
da proposta metodológica
para a disciplina foi
representado pela necessidade
da proposição
de soluções
para as questões
fundamentais citadas,
em síntese:
-
É
possível alguém
tornar-se empreendedor,
ou ele é fruto
de genes favoráveis?
-
É
possível ensinar
o empreendedorismo?
-
Como
ensinar empreendedorismo?
Outros
desafios, estes peculiares
aos objetivos de disseminação,
foram acrescidos aos obstáculos
tradicionais.
-
Como
ensinar empreendedorismo
na universidade?
-
Como
conseguir que a disseminação
da disciplina se dê
através de
professores com diferentes
formações
acadêmicas?
-
Como
induzir à criação
deste tipo de ensino
de fora para dentro
das instituições
de ensino, já
que estamos falando
de programas de disseminação
do ensino?
O
elementos centrais
Motivação
para empreender
Um
dos objetivos centrais
da disciplina é
despertar o aluno para
a área de empreendedorismo,
motivando-o a criar a
sua empresa ou a gerar
o próprio emprego.
Isto não significa
que a metodologia pretenda
que o aluno abra o próprio
negócio logo após
a disciplina. Na verdade,
este seria um resultado
surpreendente. O que se
pretende é que
o aluno possa incorporar
ao seu potencial a opção
de geração
do auto-emprego e q ue
persiga tal objetivo durante
a sua evolução
profissional. Quando ele
ou ela irá abrir
o seu próprio negócio
será uma questão
pessoal, de amadurecimento,
aprendizagem, desenvolvimento
da sua visão, percepção
e capacidade de aproveitamento
de uma oportunidade. Há
empreendedores que deliberadamente
procuram empregos na sua
área de interesse
visando a formação
de uma bagagem (em termos
de conhecimento técnicos,
mercadológicos,
de relações)
para a abertura posterior
do próprio negócio.
Os critérios de
avaliação
da disciplina pressupõem
uma temporalidade que
extrapola o ciclo escolar.
O que esta avaliação
irá buscar será
quanto o direcionamento
profissional do ex-aluno
terá sido influenciado
pela disciplina. Não
há receitas nem
limites de idade para
a abertura do próprio
negócio.
O
processo visionário
Segundo
Filion, o empreendedor
é visto como alguém
que imagina, desenvolve
e realiza visões(6).
O desenvolvimento da visão
é um dos fundamentos
do curso. O aluno é
chamado a desenvolver
o próprio processo
visionário, cujo
resultado é a empresa,
e a exercitar a sua capacidade
de projeção
no futuro, através
de exercícios visionários.(7)
Três
categorias de visão
Os
4 elementos descritos
por Filion, que suportam
e interagem dinamicamente
entre si, são trabalhados
em sala de aula, através
de exercícios.
Eles compõem os
elementos de base para
o processo de modelagem,
que consiste na captura,
de forma estruturada,
das experiências
de empreendedores narradas
em sala de aula.
O
processo visionário
Comportamento
empreendedor
As
principais características
comportamentais dos empreendedores,
descritas em relatórios
de pesquisas(8)
são apresentadas
e discutidas com o alunos.
Este módulo, agregado
ao processo visionário,
o qual complementa, compõem
o arcabouço teórico/conceitual
do curso. Como se verá
adiante, o perfil do empreendedor
será confrontado
com o depoimento de experiências
reais, tanto nos depoimentos,
como na entrevista e nas
intervenções
do "padrinho".
São enfatizadas
as habilidades requeridas
em termos de know
why
(atitudes, motivação,
valores), know
how
(conhecimento), know
who
(relações),
know
when
(oportunidade), know
what
(o negócio).
Criatividade
A
criatividade compreende
o ciclo cujas etapas são
a descoberta, a invenção,
a inovação,
a melhoria e o processo
de mudanças.(9)
A criatividade é
fundamental para a identificação
de novos paradigmas que
poderão configurar
uma oportunidade de negócio.
Exercícios de criatividade
são propostos e
os alunos são convidados
a expor a abordagem de
Oech(10),
de quebra dos bloqueios
mentais que inibem a criatividade.
Capacidade
de identificação,
análise e aproveitamento
de oportunidades
É
preciso lembrar que idéias
não são
necessariamente oportunidades,
mesmo reconhecendo-se
que sempre uma oportunidade
seja fruto de uma idéia.
Existem idéias
em número muito
maior do que boas oportunidades
de negócios. Uma
das características
da oportunidade é
que ela deve se adequar
ao perfil e características
do empreendedor. Assim,
uma idéia pode
ser uma excelente oportunidade
para um determinado empreendedor
enquanto que, para outro,
por variados motivos (que
vão desde a competência,
aptidão, disponibilidade,
vocação,
interesse, recursos de
capital, etc.), pode não
representar um negócio.
Normalmente as novas oportunidades
surgem de mudanças
na economia, nos hábitos
e perfil da população,
em avanços tecnológicos,
nas circunstâncias,
nas inconsistências
do mercado. Ela é
traduzida em um produto
ou serviço que
adicione valor ao seu
consumidor. Deve ser atraente
e com um ciclo de vida
que permita um retorno
satisfatório. A
melhor idéia nem
sempre faz a diferença
crítica do sucesso.(11)
"Plano
de Negócios":
instrumento de estudo
de viabilidade e minimização
dos riscos
O
"Plano de Negócios"(PN)
é o trabalho do
curso. É um exercício
de planejamento da criação
de um empreendimento.
Para ter validade, deve
ser desenvolvido em bases
realísticas: um
PN bem feito deverá
estar em condições
de ser implantado, de
se transformar em uma
"empresa incubada",
de sensibilizar parceiros
e investidores. Na elaboração
do seu Plano, o empreendedor
poderá descobrir
que o empreendimento é
irreal, que existem obstáculos
jurídicos ou legais
intransponíveis,
que os riscos são
incontroláveis,
ou que a rentabilidade
é aleatória
ou insuficiente para garantir
a sobrevivência
da empresa ou do novo
negócio. Existe
mais de um caminho para
se chegar ao mesmo objetivo
e mais de uma solução
para os diferentes problemas.
É melhor fazer
uma escolha que garanta
sucesso a longo prazo
do que escolher a solução
mais imediatista de sucesso
aparente. O PN pode também
conduzir à conclusão
que o empreendimento deva
ser adiado ou suspenso
por apresentar baixo potencial
de sucesso.
A
abordagem didática
Enterprise
way
A
metodologia de ensino
utilizada nesta disciplina
é inspirada nos
processos de aprendizagem
utilizados pelo empreendedor
na vida real. Para se
encontrar efetividade
didática na área
de empreendedorismo é
essencial que o ensino
seja insistentemente inserido
no contexto. Deve-se submeter
o aluno pré-empreendedor
a situações
similares àquelas
em que encontrará
na prática. O processo
de aprendizagem do empreendedor,
na pequena empresa, é
essencialmente baseado
em ações.
Segundo Allan Gibb, (1992)
ele aprende da seguinte
forma:
solucionando
problemas; fazendo sob
pressão; interagindo
com os pares e outras
pessoas; através
de trocas com o ambiente;
aproveitando oportunidades;
copiando outros empreendedores;
pelos próprios
erros: é uma área
em que se podem cometer
erros(pequenos) porque
há liberdade; através
do feedback dos clientes.
O
propósito do curso
é fazer com que
os alunos freqüentemente
cruzem os muros da escola
para entenderem o funcionamento
do mercado, e estando
em sala de aula, submetê-los
a processos de trabalho
semelhantes àqueles
desenvolvidos pelos empreendedores.
Essa metodologia é
chamada de enterprise
way.
A teoria é preferencialmente
abordada através
de sua aplicação
à realidade, privilegiando
as características
do mercado e da economia
locais. A abordagem didática
fará uso de casos,
jogos, estudos de biografias,
teatro popular. A forma
de seminário será
priorizada em relação
à exposição
teórica. Deve-se
induzir o aluno a um grau
elevado de "exposição"
durante o curso, de forma
a prepará-lo para
situações
de negociação.
Assim, é importante
que os papéis do
professor e do aluno sejam
intencionalmente invertidos:
o aluno é sempre
chamado a transmitir para
toda a turma os conhecimentos
que ele próprio
gerou: a sua idéia
de empresa, a definição
do seu produto, a sua
visão do mercado,
o seu plano de negócios.
A capacidade de crítica,
isenta e objetiva, é
estimulada junto aos alunos,
que se transformam em
avaliadores dos colegas.
Assim, o primeiro "teste"
da empresa do aluno e
do produto será
feito em sala de aula:
os seus pares assumem
as funções
de clientes, fornecedores,
financiadores, sócios.
Depoimentos
de empreendedores
Empreendedores
são chamados a
comparecer à sala
de aula para falarem sobre
sua experiência
na área de negócios,
abordando, principalmente,
os aspectos pessoais do
seu envolvimento. Grande
importância é
dada ao depoimento de
empreendedores, cuja vivência
na área irá
ser um dos componentes
didáticos mais
valiosos já que
é indispensável
ao aluno-empreendedor
conhecer os caminhos percorridos
por aqueles que alcançaram
o sucesso e também
por aqueles que amargaram
fracassos. O depoimento
é imprescindível
à formação
e/ou enriquecimento da
visão do aluno
no que diz respeito ao
perfil do empreendedor
e àquilo que se
entende como empreendimento.
Deve-se escolher um empreendedor
que tenha criado o próprio
negócio, uma vez
que o conteúdo
a ser transmitido é
justamente a formação
da visão, a idéia
da empresa, do primeiro
produto, do primeiro cliente,
da abordagem do mercado,
da passagem de um estado
de não empreendimento
para a criação
do próprio negócio.
É muito importante
o relato da transformação
na vida pessoal: as novas
relações
pessoais, a reação
do núcleo familiar,
os rendimentos incertos
na empresa. Devem ser
destacadas as relações
de interdependência
com o ambiente interno
e externo: colaboradores,
empregados, clientes,
fornecedores, concorrência,
sócios. Para possibilitar
que os depoimentos sejam
capturados e percebidos
de forma estruturada,
no sentido de que uma
estrutura comum permite
a análise e comparação,
criou-se uma metodologia
específica para
a absorção
dos conteúdo dos
depoimentos.
Tal
metodologia utiliza duas
ferramentas:
um
roteiro para o depoente,
que sugere um curso de
informações
voltadas para o conteúdo
do curso. São privilegiados
os dados sobre a pessoa
e o que ela faz, em contraposição
à abordagem tradicional
do ensino da administração,
que visa o que é
feito e como é
feito.
Guia
de modelagem, para o aluno
extrair estruturadamente
dos depoimentos dos empresários
aquilo que for essencial.
Ele se coloca na posição
do empreendedor e tenta
absorver a essência
de comportamentos, atitudes,
práticas que podem
ser incorporadas à
sua forma empreendedora
de agir.
A
prática tem demonstrado
que depoimentos sobre
situações
que ensejaram fracassos
empresariais são
extremamente ricos, devido
à possibilidade
de identificação
de causas objetivas que
provocaram o insucesso.
Julgamento
dos "Planos de Negócios":
O Júri.
Após
o final do curso será
criado um Júri,
integrado por pessoas
representativas da área
empresarial, para avaliar
as melhores "empresas".
O Júri avaliará
o trabalho final da disciplina,
o planejamento total de
uma empresa, feito através
do Plano de Negócios.
O objetivo do Júri
é integrar o novo
empreendedor à
comunidade de negócios.
Não basta estimular
a criação
de empresas. É
preciso convocar as forças
sociais para apoiarem
o novo empreendedor e
exclui-lo das estatísticas
de mortalidade infantil
nesta área.
O
"padrinho"
É
importante que a rede
de relações
do novo empreendedor o
auxilie desde o momento
em que planeja a sua empresa
. Um passo nesse sentido
é a escolha de
um "padrinho",
um empresário experiente,
de quem possa extrair
conselhos e orientações.
Não é necessário
que seja do mesmo ramo,
o que importa é
a vivência no campo
da criação
de novos negócios.
O "padrinho"
atuará como um
conselheiro durante todo
o processo de concepção
e elaboração
do "Plano de Negócios".
Não deve funcionar
como uma instância
"solucionadora de
problemas", mas como
alguém que possa
auxiliar na formulação
das perguntas corretas.
O
Perfil do professor-instrutor
O professor visto como
o "Organizador da
Oficina do Empreendedor"
(figura 1)
O
instrutor assume o papel
de organizador do processo
de aprendizagem. Não
se coloca na pele de um
especialista, mesmo porque
não há uma
"versão certa".
Ele não deve assumir
a posição
do professor tradicional,
no sentido de ser uma
fonte de todos os conhecimentos
de que trata a disciplina.
Ele precisa manter, além
dos vínculos acadêmicos,
uma proximidade com o
ambiente empresarial e
político-econômico
(sistemas de suporte)
e trazer o seu network
para a sala de aula. Sob
este prisma, as funções
do instrutor são
vistas principalmente
como um elo de ligação
do aluno com o mundo empresarial.
Deve ter também
uma visão multidisciplinar,
agregando especialistas
em torno da disciplina,
e criando um ambiente
em que seja possível
o conhecimento através
da ação,
uma vez que o aluno deve
aprender como o empreendedor
aprende, de forma pró-ativa.
A relação
professor-aluno é
vista de outro ângulo:
o ator principal é
o futuro empresário.
A figura do padrinho,
criada pela metodologia,
servirá de complemento
ao papel do instrutor.
Os
resultados da aplicação
da metodologia.
Resultados
no Departamento de Ciência
da Computação
da UFMG.
A
disciplina "O Empreendedor
em Informática"
é oferecida uma
vez por ano no Departamento
de Ciência da Computação
da UFMG. Desde 1993, após
5 semestre letivos, os
resultados foram:
Resultados
dos programas de disseminação
da disciplina
A
metodologia de disseminação
em larga escala do ensino
de empreendedorismo utiliza-se
dos seguintes ações
para a sua realização.
-
Programa
de sensibilização
dos corpos discente
e docente
-
Mobilização
das instituições
para adesão
aos Programas de Disseminação
-
Treinamento
dos professores através
do Workshop Training
The Trainers
-
Oferecimento
de material didático
completo
-
Criação
de rede de ensino,
integrando os participantes
-
Avaliação
dos resultados da
disciplina
-
Acompanhamento
dos ex-alunos
Resultados
do Projeto SoftStart
Após
os períodos de
teste da disciplina, percebeu-se
a necessidade de adoção
de uma política
efetiva de sensibilização
e estimulo à sua
implementação
em cursos de graduação
de informática,
em termos nacionais. Com
este objetivo, entre outros,
foi criado o Projeto SoftStart
no início de 1996.
O contexto indicava que
a disciplina criada em
1993, apesar de ter sido
relativamente divulgada
no âmbito do SoftEx,
ainda não havia
sido adotada pela maioria
das universidades. Duas
necessidades básicas
foram percebidas e constituíram-se
no pressuposto estratégico
de ação
do SoftStart:
-
A
sensibilização
das universidades
para a necessidade
da disciplina,
-
A
criação
de condições
para o oferecimento
da disciplina pelas
instituições
que o desejassem,
Em
ação conjunta
com o Projeto Gênesis,
que estimula a criação
de pré-incubadoras
no âmbito dos cursos
de graduação
e mestrado, o SoftStart
noa seus 30 meses de existência,
atingiu o impressionante
número de 96(13)
instituições
de ensino técnico
e universitário
envolvidos com o ensino
de empreendedorismo na
área de informática.
Resultados
do Programa REUNE(14)
Criado
em 1997, o Programa REUNE,
Rede de Ensino Universitário
de Empreendedorismo, tem
por objetivo a disseminação
do ensino de empreendedorismo
nas instituições
de segundo e terceiro
graus do Estado de Minas
Gerais. Em seu segundo
ano de atuação,
o REUNE já ganhou
a adesão de 32
instituições.(15)
O
Programa SEI - de ensino
de empreendedorismo SENAI-IEL
-MG
Por
iniciativa do IEL e do
SENAI, ambos do Sistema
FIEMG, Federação
das Indústrias
do Estado de Minas Gerais,
o ensino de empreendedorismo
está sendo implantado
nos cursos profissionalizantes
do SENAI-MG. Iniciado
em Maio de 1998, cerca
de 70 professores de todo
o Estado de Minas Gerais
já participaram
de 2 Workshops de Formação
de Formadores visando
a implementação
do ensino de empreendedorismo
a partir de agosto de
1998.
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culture-its meaning and
implications for education
in training, Journal of
European na Industrial
Training, Monograph, Vol.
11, N º 2, 1991
7.
Garcia, Fernando Coutinho.
Neoliberalismo, Controle
de Qualidade Total e Reengenharia:
Instrumentos para o Desemprego
e a Miséria Social.
Revista Brasileira de
Administração
Contemporânea. Rio
de Janeiro: ANPAD,1995.p.29-48.
8.
Fortune, 12 de junho de
1993, 46-47 p.
9.
Varela, R., Lozano, M.,
"Espiritu empresarial
en la educacion primaria;
la experiencia del C.D.E.E.",
V congresso Latinoamericano
sobre espiritu empresarial,
Santiago do Chile, 1991
10.
P.A. Schumann, Jr., Austin
Creativity: "Key
to the future", Technical
Symposium , 1982
Notas
(1)
A palavra disciplina é
aqui usada com o significado
de curso de empreendedorismo.
(2)
Cinco fatores importantes,
segundo capitalistas de
risco, segundo Timmons
(1990): 1 a 4 - O empreendedor
líder e a qualidade
da equipe - 5 - O potencial
de mercado
(3)
Nos Estados Unidos, mais
de 400 universidades ofereciam
cursos de criação
de empresas em 1988, contra
50 em 1975.
(4)
VARELA, R., Lozano, M.,
"Espiritu empresarial
en la educacion primaria;
la experiencia del C.D.E.E.",
V congresso Latinoamericano
sobre espiritu empresarial,
Santiago do Chile, 1991
(5)
Filion, L.Jacques,"Visions
et relations", clefs
du succeès de l'entrepreneur".
Les editions de l'entrepreneur.
Montréal, Canadá,
1991
(6)
Segundo Filion a "visão
é uma idéia,
muitas vezes um conjuntos
de idéias (imagens)
que se quer realizar (projetadas
no futuro). Filion menciona
três categorias
de visão. A emergente,
(inicial) a central e
a complementar. As visões
emergentes são
formadas em torno de idéias
e conceitos de produtos
e serviços imaginados
pelo empreendedor antes
de começar um empreendimento.
A visão central
é o resultado de
uma única ou de
uma combinação
de visões emergentes.
A visão central
exterior refere-se ao
lugar que os produtos/serviços
ocupam no mercado e a
visão central interior
diz respeito ao tipo de
organização
necessário para
atingir os objetivos.
As visões complementares
são visões
gerenciais voltadas para
apoiar a visão
central. A visão
é sustentada por
quatro elementos. O principal
fator de suporte tanto
da criação
como do desenvolvimento
da visão é,
aparentemente, o sistemas
de relações
do empreendedor. Os outros
fatores que influenciam
no processo de formação
da visão são:
a liderança, a
energia e o conceito de
si.
(7)
Idem
(8)
Segundo Timmons, 1978,
as características
dos empreendedores são:
1-Iniciativa e energia,
2-Autoconfiança,
3-Abordagem a longo prazo,
4- Dinheiro como medida
de desempenho, 5-Tenacidade,
6-Fixação
de metas, 7-Riscos moderados,
8-Atitude positiva diante
do fracasso, 9-Utilização
de feedback
sobre o seu comportamento,
10-Iniciativa, 11-Sabe
buscar e utilizar recursos,
12-Não aceita padrões
impostos, 13 Internalidade,
14-Tolerância à
ambigüidade e incerteza.
(9)
P.A. Schumann, Jr., Austin
Creativity: "Key
to the future", Technical
Symposium, 1982
(10)
Roger von Oech, "Um
Toc na Cuca", , Livraria
Cultura Editora Ltda.,
1988 S.Paulo
(11)
Exemplos (Timmons, 1990):
a)A UNIVAC tinha mais
tecnologia do que a IBM,
mas não conseguiu
agarrar as oportunidades
emergentes no ramo de
computadores. b) Entre
1967 e 1968, o investidor
Fred Adler recebeu mais
de 50 Projetos de Negócios
de empreendedores que
queriam criar empresas
de minicomputadores. Muitas
empresas tinham melhores
idéias e tecnologia
mais avançada do
que a escolhida, DATA
GENERAL'S, que tinha maior
visão de mercado.
Em 1988 a DG faturou US$
1,3 milhões. C)
Existiam planilhas melhores
que a Lotus. Mas a entrada
no mercado exigia US$
5 milhões ou mais,
para ganhar atenção
e manter a distribuição.
(12)
Fonte HomePage do SoftStart:
http://www.softstat.org.br
(13)
Fonte HomePage do SoftStart:
http://www.softstat.org.br
(14)
O Programa REUNE é
apoiado por um consórcio
de instituições,
lideradas pelo Sebrae
- Minas e Instituto Euvaldo
Lodi - MG, e do qual participam
a FUMSOFT, a Fundação
João Pinheiro e
a Secretaria de Estado
de Ciência e Tecnologia.
(15)
Fonte: Home Page do Programa
REUNE ; http://www.reune.org.br
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