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9.
TELECOMUNICAÇÕES
E INFORMÁTICA
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Onde
deve focar sua atenção
uma pessoa que está se
preparando
para atuar na área de informática?
Marcelo
Pessoa:
Cada pessoa, na hora de escolher
profissão, deve buscar
identificar aquilo que lhe dá
gosto. Um bom ponto de partida
é aquilo assunto que a
apaixona. Dentro deste assunto,
então, procurar fazer um
bom curso e depois prosseguir
este aprendizado com a educação
continuada. É muito importante
acompanhar as tendências
através de livros e publicações
especializadas. Além disto,
o circulo de amizades , onde vai
trocar as informações
fazer o acompanhamento do que
está acontecendo na área
e em outras áreas. Não
temos, no Brasil, o costume de
freqüentar e participar das
associações de classes,
estamos aprendendo isto com a
democracia. E isto é importante
para estar em contato com os parceiros
e colegas e acompanhar o mercado
e as novidades.
E
quais são as oportunidades
que aparecem na informática
para este profissional empreender
?
Victor
Prochnik:
Existem três grandes segmentos
de oportunidades. Uma é
formado pelas contratações
de pequenas empresas pelas grandes
empresas, tanto à frente
das cadeia produtiva, como é
o caso das franquias para assistência
técnica e manutenção,
tanto atrás da cadeia produtiva,
com a contratação
pelas grandes empresas de profissionais
isoladamente ou de pequenas empresas
que ajudam a confeccionar o produto.
Outro segmento é o nicho
de mercado quando o empreendedor
tem uma idéia e transforma
esta idéia num produto
e este empreendedor não
está no circuito da grande
empresa, Diferentemente do primeiro
segmento, o empreendedor tem que
lidar com questões de canais
de distribuição,
vendas. Um terceiro segmento é
a locação de recursos
humanos. As empresas precisam
contratar profissionais para desenvolver
tarefas previamente especificadas.
Neste caso não há
inovação.
A
Internet é mesmo o emprego
do futuro?
Marcelo
Pessoa:
Sim. Existe uma frente de onda
em que o mundo inteiro está
criando coisas para a Internet.
As vezes são oportunidades
que têm vida curta. Por
exemplo, há quatro ou cinco
anos atrás a grande oportunidade
era ser provedor de Internet.
Hoje, isto não é
mais um bom negócio. O
mercado está saturado e
as grandes empresas tomaram conta
deste mercado. Hoje, a grande
oportunidade é o comércio
eletrônico que está
previsto crescer muito e rapidamente.
E
o sistema de telecomunicações?
Temos no país um grande
mercado de Internet mas temos
problemas de comunicação
e transporte destes dados...
Marcelo
Pessoa:
O que acontece é que, em
todos os países, particularmente
aqui em que estamos atrasados
na implantação de
tecnologias mais novas, temos
um sistema de telecomunicações
preparado para comunicação
por voz e o pessoal começou
a usar este sistema para comunicação
de dados, sinais de televisão
etc. que são coisas que
não foram inicialmente
previstas na implantação
das nossas redes implantadas antes
da fibra ótica.
O
que falta para a gente também
desenvolver tecnologias?
Até quando vamos ser dependentes
de tecnologia?
Marcelo
Pessoa:
Creio que isto é mais uma
questão cultural. Não
temos o hábito de desenvolver
tecnologia. Não na universidade
onde somos muito cobrados a trabalhar
com o conhecimento avançado
e com tecnologias novas, mas este
conhecimento , infelizmente, morre
na universidade. O que nos falta
é ter uma cultura mais
abrangente que nos possibilite
voltar para os nossos problemas
e buscar tecnologias que possam
estar concatenadas com as necessidades
do setor produtivo. Na área
de informática, especialmente
em software, está havendo
um esforço muito grande,
inclusive através da SOFTEX
que procura apoiar as empresas.
Estima-se que existam no Brasil
cinco mil empresas de desenvolvimento
de software. Elas estão
trabalhando e tendo apoio para
organizar o seu negócio
e transformar aquele software,
as vezes muito incipiente, num
produto vendável e, as
vezes, exportável. Inclusive,
há ai a oportunidade de
se fazer este "casamento"
das universidades com as empresas,
no sentido de acompanhar estas
tecnologias e ajudar a desenvolver
estes produtos. Ou seja, que as
pessoas destas empresas possam
vir na universidade e ter acesso
a conhecimentos existentes que,
as vezes, trata-se de questões
muito pontuais, específicas,
como o desenvolvimento de um algoritmo
e coisas assim. Em alguns centros
isto já está acontecendo
mas falta disseminar e multiplicar
estes esforços.
Victor
Prochnik:
Já existem no Brasil 80
incubadoras de alta tecnologia.
Várias instituições
estão trabalhando nisto,
mas eu acho que o problema no
Brasil é mais macro do
que micro. O país não
tem um modelo de desenvolvimento
e crescimento, temos a maior taxa
de juros, não tem uma política
de transferência de tecnologia,
não tem uma política
de difusão de tecnologia.
Isto atrapalha muito e as empresas
não crescem, não
têm potencial para se desenvolver,
não tem esquemas para comprar
tecnologia.
Neste
ambiente é mais complicado
empreender? Mesmo com estas dificuldades
há oportunidades
Victor
Prochnik:
É muito difícil,
mas tem estratégias possíveis.
É sempre recomendado a
atenção ao cliente.
Por mais que se fale nisto, as
pessoas parecem se esquecer. Qualquer
que seja o produto a atenção
total ao cliente é um dos
espaços. Outra estratégia,
é procurar gerar serviços
pós venda: manutenção,
melhoria, up grade. Outra estratégia
é a diversificação
do leque de produtos e o empresários
ir caminhando de um produto a
outro produto. Agora, em qualquer
caso, é preciso ter cautela.
A maioria das pequenas empresas
morre muito cedo. No setor de
alta tecnologia, a maioria morre
antes de dois anos. Portanto,
o candidato a empresário
precisa estar preparado, aconselhado
e respaldado em instituições
e sistemas que aumentem as chances
de sucesso. Cautela faz parte
da estratégia.
Marcelo
Pessoa:
O que ocorre muito, principalmente
para quem está saindo da
universidade e se entusiasma em
desenvolver um produto, é
que muitas vezes se esquece que
a venda do produto tem que estar
calçada em uma série
de outras coisas: tem que se preocupar
com o cliente, com o dinheiro...
Para se fazer a empresa, além
do conhecimento da tecnologia
em si, é preciso ter o
conhecimento mínimo de
empresa: contas a pagar, contas
a receber etc. Tem que planejar
isto, precisa organizar para colocar
o produto no mercado . Hoje a
regra é: não adianta
ter um bom produto se não
tem mercado para ele. Então,
é preciso saber o que o
mercado precisa antes de colocar
o produto. Criar necessidade de
mercado, uma pequena empresa até
pode, mas é muito difícil.
Normalmente, quem pode fazer isto
são as grandes empresas
que têm estratégias
de marketing poderosas.
Victor
Prochnik:
O que uma pequena empresa pode
fazer é uma das duas coisas:
uma, baseada na estratégia
de preço, é produzir
algo que já existe por
preço mais barato; a outra
é a diferenciação
do produto, pegando um produto
que já existe e adaptá-lo
para uma necessidade específica.
Pelo
que você está falando,
a pequena empresa não tem
capacidade para desenvolver novos
produtos... Ela não tem
competitividade para ser criativa,
por exemplo, no desenvolvimento
de software?
Victor
Prochnik:
Alguns softwares brasileiros são
bons, mas a maioria ainda não
está na ponta. O Brasil
ainda tem um longo caminho a percorrer,
o que é razoável
quando se pensa na situação
do país.
Como
o empreendedor pode chegar a ser
fornecedor das grandes empresas
e das multinacionais?
Marcelo
Pessoa:
Existem várias formas,
mas uma delas tem acontecido com
freqüência nos últimos
anos. As grandes empresas passaram
por enxugamentos dos seus quadros.
Muitas pessoas que eram especializadas
e conheciam tarefas específicas
destas empresas, acabaram saindo
e virando prestadoras de serviços
para estas mesmas empresas. Isto
gerou uma quantidade grande de
empresas de software que são
terceirizadas. Isto, portanto,
terminou por ser uma oportunidade
para este profissionais.
Victor
Prochnik:
Um grande espaço que já
existe e tende a ser cada vez
maior é o espaço
das aplicações específicas
do Brasil. Por exemplo, a agricultura
brasileira é diferente
de outros países. O governo,
a educação, os sistemas
financeiros são muito diferentes
de outros países. Acho
que é por isso que o sistema
financeiro brasileiro contrata
tanto software no Brasil porque
um software feito para os bancos
lá fora geralmente não
funciona aqui. Então, estes
mercados que são específicos
à condição
brasileira proporcionam um bom
caminho enquanto que aqueles mercados
globais para softwares padronizados,
produzidos por grandes empresas,
são muito mais difíceis
para as empresas brasileiras.
E
o comércio eletrônico,
ele não é uma oportunidade
para vender mais o software brasileiro?
Victor
Prochnik:
Recentemente fizemos uma pesquisa
sobre comércio eletrônico
nas empresas de software brasileiras.
Todas as grandes que entrevistamos
estão trabalhando com vendas
através da Internet. Os
esquemas de venda de software
pela Internet ainda são
preliminares pois apenas expõem
e vendem o software, mas ainda
não entregam o produto.
A nossa pesquisa teve como objetivo
saber o impacto do comércio
eletrônico nas empresas
brasileiras de software. Porque
o comércio eletrônico,
ao mesmo tempo que facilita que
nossas empresas vendam e conquistem
maiores mercados, também
facilita a venda do software estrangeiro
aqui dentro. Então, perguntamos
às empresas, o que elas
acham disto, ou seja, na opinião
delas, quem deveria ganhar mais
com o comércio eletrônico.
O resultado foi um empate, mas
cada lado apontando razões
diferentes. As que acham que as
empresas brasileiras têm
mais a ganhar do que a perder
com o comércio na Internet
, explicam isto com o argumento
de que elas entendem mais o consumidor
brasileiro e, portanto, vão
atender melhor suas necessidades
e vender mais. Já as empresas
que acham que as empresas estrangeiras
vão ganhar mais com o comércio
eletrônico, entendem que
isto se deve ao fato de que as
empresas estrangeiras têm
mais tecnologias, mais ferramentas
e, portanto, produtos mais avançados.
E
na sua opinião, quem está
com a razão?
Victor
Prochnik:
Eu acho que em alguns segmentos
as compras no exterior realmente
serão maiores e isto irá
tirar mercado das nacionais. Mas,
em outros segmentos específicos,
as empresas brasileiras podem
ser mais beneficiadas com o comércio
eletrônico. Se as empresas
brasileiras de software realmente
conseguirem se dedicar ao desenvolvimento
de aplicações específicas,
elas conseguirão, com o
comércio pela Internet,
obter sucesso hoje inimaginável.
Marcelo
Pessoa:
Nós fizemos um trabalho
para identificar como as empresas
de informática estão
usando a Internet no seu dia a
dia. Encontramos dois exemplos
muito interessantes. Um deles
é de uma empresa eletrônica
que usa a Internet como suporte
técnico: ela obtém
informações dos
fabricantes de circuitos integrados
e outros equipamentos através
de catálogos eletrônicos
etc. A Internet de fato é
um canal fantástico para
obter informações
atualizadas não só
para as empresas de informática,
mas para qualquer empresa que
demanda informações
rápidas. O outro exemplo
é de uma empresa fabricante
de computadores pessoais que usa
a Internet como meio para dar
suporte técnico aos clientes,
a distância, o que antes
era feito com muito mais dificuldade,
por telefone. Através da
Internet, o diagnóstico
do problema fica bem mais fácil.
Victor
Prochnik:
Sobre esta questão das
oportunidades de mercado, seria
interessante que houvesse por
parte do governo sobre as empresas
estrangeiras para que elas comprem
mais software brasileiro. Estas
empresas não compram o
software brasileiro por muitas
razões. Uma delas é
porque as empresas brasileiras
são pequenas e não
conseguem fazer o número
de cópias necessárias
que uma empresa internacional
necessita e neste caso é
preciso apoiar a empresa brasileira
para que ela possa atender esta
demanda. Uma segunda questão,
é que os centros de compras
estão localizados fora
do país e nem sempre eles
têm condições
de avaliar o produto brasileiro.
Uma terceira razão , é
até uma questão
de poder, ou seja, o funcionário
brasileiro que trabalha nesta
empresa ao comprar um produto
de fora ganha prestígio
e, por isso, às vezes até
dificulta a compra. Então,
seria interessante ter sistemas,
até informais, que possam
difundir mais estes produtos em
que o Brasil tem capacidade.
E
quais são estes sistemas
que o Brasil tem esta capacidade
para competir?
Victor
Prochnik:
São muitos. Por exemplo,
em automação industrial,
é um nicho de mercado que
o Brasil é muito bom. Colocar
a fábrica funcionando,
fazendo com que equipamentos diferentes
e fabricantes conversem, a comunicação
entre a fábrica e a administração.
Isto são coisas que algumas
empresas brasileiras sabem fazer
muito bem.
Quer
dizer que nós podemos ter
esperanças na nossa capacidade
de competir em desenvolvimento
tecnológico?
Victor
Prochnik:
Sim, mas isto não é
automático. É preciso
mudar as mentalidades. Eu vejo
que está havendo uma mudança
de mentalidade dos governos municipais,
estaduais e associações
empresariais. Eles estão
conscientizando-se aos poucos
da importância das políticas
mais voltadas para a cooperação,
para o associativismo, para a
constituição de
núcleos locais de indústria
ou empresas de serviços.
O caso mais notável é
o do Ceará que está
apostando muito nisto. No Rio
de Janeiro , a FIRJAN, que é
a federação das
indústrias do estado, está
trabalhando para articular e criar
mercados. Em Curitiba temos, por
exemplo, a iniciativa local para
desenvolver o software para habilitagem
dos ônibus.
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