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7.
MEIO AMBIENTE É MEIO DE TRABALHO
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Hoje
ainda são poucas as empresas brasileiras
que se preocupam com o meio ambiente, tanto
é que apenas 62 empresas são certificadas
pela ISO 14.000 que é aquela que certifica
que a empresa está atuando de acordo
com a proteção ambiental. Como
o senhor vê isto?
Lineu
Belico: É preciso pensar
nas disparidades que existem no mundo. Se olharmos
para os países desenvolvidos este trabalho
ambiental está muito mais desenvolvido
por causa da legislação local
e da pressão social. Nós estamos
numa situação em desenvolvimento
e deveremos chegar a algo parecido até
por causa da globalização, para
poder competir num mercado que vai dar mais
valor a qualidade dos produtos em si e a qualidade
ambiental das empresas.
Portanto,
vão existir muitas oportunidades de trabalho
e de negócios nesta área de proteção
ambiental. Que tipo de trabalho pode-se ter,
por exemplo, em termos de energia e meio ambiente?
Lineu
Belico: Já existem
oportunidades para os profissionais de hoje
e vão existir muito mais. Por exemplo,
pode-se ter já trabalhos específicos
em cima da elaboração dos EIA-RIMA
que são os estudos e relatórios
de impacto ambiental obrigatórios para
implementar projetos a partir de um certo porte.
Os profissionais atuam em equipes multidisciplinares:
engenheiros, advogados, economistas, sociólogos,
ambientalistas.
Não
importa, então, a especialidade do profissional.
Ele precisa fazer o elo entre a sua especialidade
e o meio ambiente?
Lineu
Belico: Ao fazer este elo,
talvez ele precise desespecializar-se um pouco.
O especialista muitas vezes tem a tendência
de achar o que ele faz é o mais importante.
Quando se trabalha em equipes multidisciplinares
voltadas ao meio ambiente, é preciso
aprender dar valor ao conjunto e ao pensamento
dos outros.
Quais
outras atividades profissionais que vão
se fortalecer com as políticas de conservação
de energia?
Lineu
Belico: A conservação
de energia traz de fatos muitas oportunidades.
O grande problema mundial de projetos de conservação
de energia está muito ligado à
questão do financiamento. Hoje, a empresas
que vão conservar energia têm que
fazer investimentos que nem sempre trazem retorno
rápido. Então, tem toda uma discussão
em torno desta questão e necessidade
de empresas e profissionais para atuarem nesta
assessoria. São as Energy
Service Companies
- ESCOS - que são pequenas empresas que
dão apoio à indústria,
empresas comerciais e até mesmo residências
no sentido de diminuir o consumo de energia.
O
senhor poderia apontar mais algum nicho de mercado
profissional em energia e meio ambiente?
Lineu
Belico: Uma outra área
importante é a de legislação.
Para o pessoal do Direito tem muito o que fazer
em relação, por exemplo, harmonização
de legislação de países,
no caso do Mercosul, e daí pra frente.
Eu também apontaria para o futuro: fazer
o planejamento e a gestão energética
e ambiental integrada.
Mas
em que universo, isto poderia acontecer? Em
universos micros, de empresas ou no cenário
macro, do país como um todo?
Lineu
Belico: Podemos pensar nas
duas coisas. Existe a idéia do desenvolvimento
sustentável e ecológico "pensar
globalmente, agir localmente". Podemos
ter isto em todos os tamanhos. Exemplo: um planejador
que atue em nível governamental ou até
continental (já que há uma tendência
energética de integração
da América do Sul e até outros)
planejaria grandes estratégias de grandes
blocos de energia sendo trocados, como os gasodutos,
grandes linhas. Mas isto tem que ser harmonizado
com soluções locais, que podem
ser projetos pequenos. Projetos regionais, microregionais,
municipais, de pequenas vilas, de vários
municípios se unindo como o governo federal,
estadual e com as empresas, para otimizar o
uso da infra-estrutura em água, saneamento,
telecomunicações etc.
Tem
que haver uma integração de todos
estes setores?
Lineu
Belico: Se tiver, é
melhor. A sinergia dos recursos. O lixo, por
exemplo, pode ser usado para produzir energia.
As coisas estão interligadas.
A
energia elétrica foi apontada como um
modelo de "energia limpa"? Depois
descobriu-se que não era tão inofensiva.
Lineu
Belico: O pessoal que a chama
de "limpa" só olha o problema
da poluição atmosférica.
Mas quando se olha o impacto do alagamento de
terras, do desaparecimento de cidades, de desaparecimento
de patrimônios e belezas naturais como
Sete Quedas, deslocamentos de populações...
A hidroelétrica tem uma série
de outros problemas, não só ambientais,
como sociais, que não tem nada a ver
com "limpa". Ela é "limpa"
apenas quanto a atmosfera.
Quais
as tendências sobre outras fontes de energia?
Por exemplo,
a energia eólica é ficção
ou realidade?
Lineu
Belico: É realidade.
O custo é bem convidativo. Vários
países da Europa estão investindo
nisto, no Brasil alguns projetos também
estão começando. O problema é
que tem um valor mínimo da velocidade
do vento em que o projeto torna-se viável.
Portanto, não é em todo lugar.
No Brasil, é mais na costa marítima,
em altas montanhas, em alguns vales. No Ceará
tem um projeto sendo desenvolvido e vai ter
um no Paraná de grande porte de eolics.
E
a energia solar?
Lineu
Belico: Tem dois tipos de
energia solar. A mais simples é a térmica:
que se transfere o calor do sol para aquecer
a água. Quando se pensa em energia elétrica,
é uma tecnologia diferente, energia solar
fotovoltaica. O equipamento que recebe o calor
do sol e o transforma em energia elétrica
não é o mesmo. Inclusive, é
de tecnologia do silício. Ele ainda é
caro, embora os preços tenham caído
porque o mercado está crescendo. E vai
cair mais.
Pesquisa
nestas áreas também são
nichos de oportunidades?
Lineu
Belico: Trabalhar com fontes
renováveis. E no caso, da energia solar
fotovoltaica pensar um pouco até mais
além, na automação. Já
existem projetos pilotos em países desenvolvidos
em que cada casa tem o seu solar e usa este
sistema em paralelo com o sistema tradicional.
O próprio dono da casa tem as informações
com tarifas diferenciadas e ele pode programar
o uso alternativa das energias conforme tarifas
e otimiza sua conta de luz. É lógico
que estou falando de projetos pilotos, de primeiro
Mundo. Mas isto pode acontecer mais rápido
do que a gente pensa se o mercado de solar fotovoltaico
crescer. Eu visitei a UCLA, em Los Angeles.
A universidade fez parceria de co-geração
com uma empresa. Eles geram a energia elétrica,
geram vapor e calor para as dependências
da universidade, laboratórios, dormitórios,
hospitais etc. E o que sobra de energia elétrica,
eles vendem para a rede. Estes projetos de geração
local de energia em geral buscam soluções
menos danosas para o meio ambiente e dão
mais eficiência ao sistema porque evitam
projetos de longa distância.
O
nosso telespectador tem várias formações:
alguns estudam ou trabalham em engenharia, economia,
medicina. Que curso eles devem buscar se quiserem
trabalhar com meio ambiente?
Lineu
Belico: Existem alguns cursos
de especialização. Um exemplo
é o cursos na POLI (no PECE - Programa
de Educação Continuada da Escola
Politécnica da USP chamado "Gestão,
Tecnologia e Meio Ambiente". Como origem,
este curso nasceu de um convênio entre
a engenharia química e a CETESB, mas
hoje ele abrange disciplinas mais gerais; como
a que dou sobre energia, meio ambiente e sustentabilidade.
Outras universidades têm cursos semelhantes.
Há uma grande tendência de todas
criarem cursos nesta área.
O
aluno destes cursos vão adquirir uma
visão mais geral?
Aprender um pouco de tudo?
Lineu
Belico: Isto se ele quiser
ter uma visão global. Mas, por exemplo,
pode ser um profissional de engenharia elétrica
que faça também direito e se especialize
em legislação ambiental. Tem grandes
perspectivas nisto porque pouca gente está
atuando nesta área. A UNICAMP, A EFEI
e a USP, a pedido da ANEL, organizaram um curso
chamado CENÁRIOS que quer dizer Curso
de Especialização no Novo Ambiente
Regulatório do Setor e o curso passa
por tudo, desde disciplinas de Direito, até
a parte específica de projeto no setor,
mas sempre com a profundidade necessária
para o indivíduo que vai trabalhar numa
agência reguladora.
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