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O
real e as cooperativas
Diva
Benevides Pinho
A
mais visível consequência do Real
sobre as atividades cooperativistas é
o aumento acelerado da descapitalização
e, conseqüentemente, a diminuição
do capital de giro, dos investimentos em ampliação
e/ou novas instalações, máquinas
e equipamentos, bem como em treinamento de pessoal.
A
incidência de tais problemas, entretanto,
é mais grave nas categorias de cooperativas
que já apresentavam sérios problemas,
especialmente as agrícolas e as de consumo.
Já as cooperativas de crédito-mútuo
e o emergente setor cooperativista de crédito
agrícola, encontram no Plano Real a possibilidade
de conseguir recompor seus planos de empréstimos
aos associados a juros módicos - o que
era impossível em economia corroída
por inflação galopante. Por outro
lado, o extraordinário crescimento atual
das cooperativas urbanas de trabalho e de prestação
de serviços resulta, sobretudo, da intensa
necessidade de busca de novas formas organizatórias
da mão-de-obra liberada pela aceleração
do desemprego e pelas "demissões
voluntárias" em empresas privadas
e públicas.
Outro
aspecto das conseqüências do Plano
Real sobre as cooperativas, talvez o menos visível,
porém de importância fundamental,
é o grande impulso que está obrigando
todas as categorias de cooperativas a enfrentarem
o desafio de reengenharia interna e, ao mesmo
tempo, de aceleração da busca
de Qualidade e Produtividade, segundo os padrões
impostos pela economia globalizada e planetária.
Introduçao:
Plano Real, Ano 3
O
início do Plano Real estava marcado,
de fato, por medidas emergenciais do Governo
Federal, entre janeiro e fevereiro/94, com o
objetivo de caracterizar um movimento de reforma
monetária que, desde o início,
pudesse conter as despesas públicas.
Continuou, no período de março
a junho/94, com a urvização da
economia, ou conversão dos salários,
preços e tributos à URV (Unidade
Real de Valor). E finalmente, quando os preços
em URV foram convertidos em Real, pela Medida
Provisória nº 542, de 01 de julho
de 1994, implantou-se a nova moeda brasileira.
De
acordo com os pronunciamentos oficiais da época,
procurou-se criar um processo de mudanças
indispensáveis a um programa que seria,
depois, desdobrado em formulações
específicas, de modo a propiciar condições
de execução de um plano de desenvolvimento
auto-sustentado. Justificava-se, portanto, a
apresentação de intenções
sem um plano de formato definido.
Depois
de longa espera, a mini-reforma da Previdência
(MP 1415, de 29/abril/96), trouxe somente pequenas
modificações, como o aumento de
12% para o salário mínimo e sua
desvinculação de qualquer periodicidade
de aumento e de qualquer índice de preços;
reajuste de 15% para os benefícios da
Previdência, fixando os próximos
reajustes anuais em junho, de acordo com a variação
do IGP-DI (Índice Geral dos Preços
- Disponibilidade Interna), da Fundação
Getúlio Vargas; recolhimento de 20% como
contribuição de empresários,
autônomos e contribuintes facultativos
(grupos de 1 a 3) e contribuição
dos funcionários públicos aposentados
igual à contribuição dos
funcionários da ativa, isto é,
8 a 12%.
Considerou-se
louvável prudência a decisão
governamental de agir com plena transparência
e deixar as mudanças ocorrerem em clima
de confiabilidade, quando rompeu a inércia
inflacionária e introduziu gradualmente
nova moeda. Aplaudiu-se a volta à tranquilidade,
sobretudo em comparação aos planos
de estabilização anteriores, que
desde 1986 vinham atropelando o mundo dos negócios
e a população brasileira, com
suas desastradas tentativas de estabilizar a
economia via choques e pacotes-surpresas, embasados
em rígido controle de preços e
salários ou, até mesmo, em estranho
confisco de depósitos em conta-corrente...
De
imediato, o Real trouxe importante queda da
inflação inercial. E apesar de
todas as previsões pessimistas, a taxa
de inflação caiu imediatamente
de 50% ao mês para cerca de 1,5%, e depois
de algumas oscilações, explicadas
pela persistência da "contaminação"
inflacionária da moeda anterior (cruzeiro
real), vem se mantendo nas proximidades de 0,5%.
A Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (FIPE), com base no Índice
de Preços ao Consumidor, registrou em
1996, na Capital de São Paulo, taxas
descendentes de inflação: 0,23%
em março, o,34% em agosto e 0,07% em
setembro. Uma vitória do programa antiinflacionário,
aplaudida pela mídia como o índice
mais baixo desde 1958. As expectativas são
taxas declinantes, com mínimas oscilações
para baixo ou para cima, provocadas pela queda
ou aumento dos preços de alguns produtos,
de modo que se prevê, para o próximo
ano, uma inflação acumulada de
um dígito.
Todavia,
alguns fatos como o aumento do consumo e a aceleração
das importações, estimulados pela
sobrevalorização do real em relação
ao dólar e pela abertura da economia,
levaram o Governo Federal a tomar algumas medidas
especiais. E o elevado déficit público
continua a pressioná-lo no sentido de
preservar elevada taxa de juros internos, quer
para desestimular a expansão do consumo,
quer para poder captar recursos internamente.
O
Orçamento/97 prevê um crescimento
do PIB, Produto Interno Bruto, de 3,9%. Chegou
a haver expectativa otimista de um PIB por vota
de 6% em 1997, mas os resultados desfavoráveis
da balança comercial, no fim de 1996,
mantiveram a primeira previsão de 3,9%.
Confirmou-se o que já se sabia - para
aumentar a exportação dos produtos
brasileiros seus preços devem ser competitivos
no mercado internacional, o que significa urgente
necessidade de reduzir seus custos em cerca
de 20%. Enquanto isso, as importações
continuarão superando as exportações...
No
conjunto dos problemas brasileiros, entretanto,
arrumar as contas públicas continua sendo
a principal urgência. Mas na realidade,
a implementação de ampla reengenharia
do Estado brasileiro, que deveria ser imediata,
ainda continua comprometida devido à
persistência de antigos e graves obstáculos.
Muitos dos entraves decorrem do forte intervencionismo
econômico que há muito tempo caracteriza
a política governamental brasileira,
e das deletérias práticas de clientelismo
e corporativismo. Ora, a contenção
do ritmo reformista prejudica a própria
política de estabilização,
que é o principal trunfo do Plano Real.
De
fato, persistem desafios muito graves. Surgem
armadilhas políticas diante da necessidade
de cooptar a oposição para a aprovação
das reformas básicas no Congresso; armadilhas
econômicas não menos desprezíveis,
como os juros altos e a valorização
cambial; armadilhas sociais, muitas vezes mescladas
ao conflito capital-trabalho, pontuado aqui
e ali por reivindicações dos sem-terra,
sem-teto, sem-emprego, sem-esperança,
sem-nada...
No
segundo semestre de 1996, renovaram-se as esperanças
de desenvolvimento auto-sustentado com o Plano
Plurianual 1996-99, PPA, encaminhado pelo Executivo
ao Congresso Nacional. Sua ampla divulgação
enfatizou a tônica da retomada do planejamento
no âmbito da administração
pública federal. Este posicionamento
é especialmente significativo porque
o ato de planejar as ações do
Governo fora superado, desde a execução
do II PNB, no final dos anos 70, pelo esforço
de estabilizar a economia nacional, cada vez
mais corroída pela inflação.
Dois outros pontos muito importantes vieram
contidos na premissa de consolidar o Plano Real
e na confirmação do esforço
de substituir um Estado interventor e onipresente
por um Estado catalisador e estimulador do desenvolvimento.
O PPA definiu também projetos, ações,
prioridades e metas de orientação
da ação do Governo Federal nos
próximos quatro anos, destacando a importância
das reformas constitucionais, institucionais
e legais, as metas mais relevantes dos principais
projetos e ações propostas, bem
como as áreas que necessitam de parceria
com o setor privado, estados, municípios
e organismos financeiros internacionais.
Em
outubro/96 o governo federal lançou um
pacote fiscal para tentar reduzir o rombo das
contas públicas, até que conseguisse
pôr em prática um ajuste definitivo,
mas na dependência de o Congresso Nacional
aprovar as reformas administrativa, tributária
e previdenciária. Na realidade, eram
medidas de contenção de gastos
e de elevação das receitas que
vários críticos econômicos
consideraram meramente paliativas. Daí,
a proposta de redução de gastos
com os servidores públicos mediante corte
de despesas com pessoal (extinção
de cargos, exonerações, limitação
de benefícios e vantagens etc), eliminação
das aposentadorias especiais e outras medidas
etc. O aumento da receita seria conseguido com
incrementação da cobrança
de débitos fiscais, regularização
dos imóveis da União, alienação
dos ativos não-operacionais de estatais
federais não finaceiras etc.
Parece,
portanto, que está sendo ultrapassada
a fase de simples correções de
rota, não raro mutiladas à última
hora, sob pressão de interesses políticos.
Parece também que se tem avançado
na escolha de um novo padrão de crescimento
econômico e social auto-sustentado, em
condições de enfrentar a produtividade,
a qualidade e a competitividade da globalização
econômica.
De
fato, é cada vez mais urgente o re-arranjo
das instituições para dar suporte
ao desenvolvimento auto-sustentado do Brasil,
diante da emergente Sociedade Informacional
ou do Conhecimento. É urgente, também,
a definição de uma política
de produção de bens e de serviços
para combater o desemprego, bem como outras
medidas importantes para enfrentar os graves
problemas de uma economia com um PIB decadente
desde o "milagre econômico"
- insuficiente para uma população
da ordem de 160 milhões de pessoas, cuja
maioria reclama investimentos produtivos que
criem mais empregos, hospitais, moradias, escolas,
transportes, saneamento básico, segurança
etc.
Em
nível internacional, não é
menos preocupante a imbricação
de problemas internos do Brasil a problemas
externos, na maioria decorrentes da voluntária
união econômica de grandes blocos
de países, em ritmo e em extensão
geográfica até agora desconhecidos,
bem como da emergência da economia informacional,
globalizada e ciberplanetária.
Daí,
o desafio de conciliar questões tão
variadas quanto complexas com o crescente aumento
da politização, conscientização
e reivindicações, a premência
de atendimento das necessidades vitais básicas
de significativa parte da população
brasileira etc. O Governo adotaria remédios
ainda mais amargos para reanimar a combalida
economia brasileira, porém repudiados
por fortes lobbies corporativistas e por fisiologismo
político? E mais, afetaria negativamente
o projeto de reeleição do atual
presidente?
Sabia-se,
desde o início do Real, que "medicamentos"
pouco atrativos, nunca mencionados em época
pré-eleitoral, tornar-se-iam inevitáveis
para afastar o superaquecimento da demanda,
o retorno da indexação, a deterioração
do balanço comercial, e outros graves
e urgentes problemas. Sem mencionar a questão
social e sem falar na diáspora da juventude
brasileira, desesperançada e sem perspectivas,
que ao tentar emigrar compreende a cruel realidade
- se para os bits do mundo digital não
há fronteiras, para o mundo dos átomos
as alfândegas tornam-se cada vez mais
exigentes...
Diante
dos fatos econômicos, sociais e políticos,
o Governo optou, em meados de 1995, pela recessão,
embora consciente dos graves "efeitos colaterais",
sobretudo nas áreas da saúde,
educação e agricultura de consumo
interno. Mas ainda persiste o descalabro orçamentário
em todos os níveis governamentais - federal,
estadual, municipal - beneficiado pela rolagem
das dívidas... E os juros continuam elevados,
confiscando recursos de pessoas físicas
e de pessoas jurídicas, deteriorando
os mercados e aumentando o desemprego...
Aliás,
desde os primeiros meses de 1996, denunciavam-se
os riscos da política do Plano Real,
especialmente a cobertura dos déficits
do Estado com empréstimos internos, atraídos
por juros altos. Analistas econômicos
há tempos chamavam a atenção
para a possível detonação
de problemas explosivos como o difícil
enquadramento do déficit do setor público,
as graves falhas do Banco Nacional, o megaprejuizo
do Banco do Brasil, os déficits dos bancos
estaduais etc.
Diante
de tudo isso, não faltaram até
mesmo aqueles que se opõem ao que chamam
de "paranóia antiinflacionária
dos últimos vinte anos", procurando
ressuscitar a polêmica cultura da inflação,
com a defesa da inflação-estímulo
ou de impulsos inflacionários no sentido
de acelerar o crescimento econômico.
Em
nível internacional, as previsões
também não parecem otimistas.
Os países da União Européia,
por exemplo, com taxas de desemprego entre 15
e 20%, procuram reduzir o custo do trabalho,
eliminar encargos sociais, introduzir a precariedade
nas relações trabalhistas etc.
Tais tendências estão se disseminando
de tal forma, que provocam alterações
no assistencialismo estatal dos países
até há pouco considerados padrão
do Welfare State. O próprio mundo asiático
começa a modificar seus valores de dedicação
a um único emprego durante a vida. Essas
mudanças trazem embutidas outras conseqüências
não menos significativas, entre as quais
o aumento da insegurança dos trabalhadores,
crescimento quantitativo, em todos os países,
dos extra-comunitários ou excluídos
da sociedade, agravamento das desigualdades
sociais, explosão local ou regional de
antigos ressentimentos políticos, religiosos,
étnicos e outros.
Diante
de cenários brasileiros e cenários
internacionais tão preocupantes, como
estão reagindo as cooperativas brasileiras?
Como vêm enfrentando suas dificuldades
econômicas e financeiras endógenas
e, ao mesmo tempo, o desafio de oferecer bens
e serviços de acordo com os padrões
da economia globalizada?
O
Real e as Cooperativas
As
cooperativas representam, historicamente, um
modelo sui generis de estrutura de solidariedade
econômica e social que se iniciou na Europa,
na metade do século XIX, como resposta
dos trabalhadores à desenfreada competição
capitalista. E agora, com a globalização
da economia e a emergente "Sociedade da
Informação", tende a se acentuar
a busca da solidariedade em todos os tipos de
cooperativas e torna-se cada vez mais premente
a urgência de se utilizar os mecanismos
da economia de mercado com senso de responsabilidade
social.
Aliás,
deve-se observar que o recente e rápido
florescimento de cooperativas e sua especial
concentração no terceiro setor,
em nosso País, mostra que os profissionais
autônomos dos centros urbanos sentem mais
diretamente a premência de enfrentar a
competição de modo organizado
e em termos menos assimétricos, menos
desiguais. Preferem o modelo cooperativista
para poder fruir da economia de escala e das
externalidades positivas, em especial tecnológicas
e financeiras. Mas aqui deve ser apresentada
uma ressalva - não consideramos as chamadas
falsas cooperativas de trabalho, ou aquelas
que fraudam a lei ocultando relações
de trabalho permanente, em regime de subordinação
e mediante pagamentos que, de fato, são
salários. É o caso, por exemplo,
das "cooperativas" de serviços
de limpeza - organizações semelhantes
a outras empresas terceirizadoras que operam
no mercado. Não apresentam as características
histórico-doutrinárias das cooperativas,
recomendadas pela Aliança Cooperativa
Internacional (sediada em Genebra) e adotadas
expressamente pela legislação
cooperativa brasileira desde 1932, inclusive
pela atual lei 5.764/71.
Quanto
às cooperativas do setor agropecuário
também cabe uma observação:
tal como as organizações agrícolas
não-cooperativas, estão imersas,
há quase duas décadas, no emaranhado
de graves problemas estruturais e conjunturais
que dificultam o desenvolvimento da agricultura
brasileira.
Feitas
essas ressalvas, voltemos ao tema central deste
trabalho: qual a situação dos
diferentes tipos de cooperativas desde a implantação
do Plano Real? Quais as categorias de cooperativas
que mais têm sido penalizadas?
Em
um primeiro aspecto geral, a mais visível
consequência do Real sobre as atividades
cooperativistas reflete dois aspectos importantes:
primeiramente, o aumento acelerado da descapitalização
e, conseqüentemente, a diminuição
do capital de giro, dos investimentos em ampliação
e/ou melhoria das instalações,
aquisição de máquinas e
equipamentos (inclusive de informática),
treinamento de pessoal, enfim, aceleração
das dificuldades econômico-financeiras
das cooperativas em geral. A incidência
de tais problemas é mais grave naquelas
cooperativas que já apresentavam sérios
problemas, especialmente as agrícolas
e as de consumo.
Um
segundo aspecto geral importante refere-se à
urgência de programas de Qualidade e Produtividade
para que as cooperativas possam racionalizar
sua administração e reduzir custos,
mas conservando o enfoque nos "clientes"
internos e externos. Todavia, não tem
sido fácil a sobrevivência sem
aplicações financeiras, nem socorro
oficial, nem "empréstimo cooperativista"
já que depois de cerca de um século
de cooperativismo em nosso País, agora
é que se encontra em processo de criação
o primeiro Banco Cooperativo do Brasil . . Esta
antiga aspiração do cooperativismo
brasileiro é realidade em todos os países
em que o movimento cooperativo é economicamente
próspero.
A
reação imediata das cooperativas
brasileiras durante o Plano Real, tem se concentrado
sobretudo na redução de custos,
eliminação de desperdícios,
maior atenção aos usuários
e melhora da qualidade dos produtos e serviços.
Mas a possibilidade de captação
interna de recursos é mínima,
tendo em vista o princípio dos vasos
comunicantes, ou seja, de modo geral, os cooperados
como pessoas físicas também estão
descapitalizados. Daí, as cooperativas
limitarem-se à reposição
do equipamento considerado indispensável,
o que significa, no mínimo, perda da
qualidade de atendimento e da competitividade,
em relação às empresas
capitalistas do mesmo setor.
Mas
a intensidade das conseqüências do
Real sobre o crescimento demográfico
e econômico cooperativista tem variado
de acordo com a categoria de cooperativa considerada.
Nos pontos extremos estão a multiplicação
e o dinamismo das cooperativas de trabalho em
oposição ao declínio quase
inexorável das cooperativas de consumo,
que antes do Real já se encontravam em
difícil situação financeira.
Realmente,
a OCB, Organização das Cooperativas
Brasileiras, "órgão representativo
da cúpula do movimento e seu representante
legal, nos termos da Lei 5.764, de 16/12/1971"
- informa que, no período de 1991 a 1994,
foram fundadas cerca de 680 ooperativas de trabalho
(área educacional e técnica),
mais de 200 cooperativas habitacionais e 60
cooperativas de crédito (mútuo
e rural). Estima-se, porém que esses
números mostrem apenas uma parte da realidade
porque nem todas as cooperativas criadas depois
da Constituição de 1988, cadastram-se
na OCB. Ou seja, estão se registrando
diretamente nas Juntas Comerciais, sem necessidade
da AF (Autorização de Funcionamento),
obrigatória antes daquela Constituição.
E sem AF fornecida pela OCB, a associação
cooperativa não podia ser registrada
na Junta e, portanto, não se tornava
pessoa jurídica.
Por
outro lado, no setor empresarial, continuam
fortes as pressões de "enxugamento"
dos custos, dentro de uma busca nacional de
Qualidade e Produtividade, que ultrapassa o
setor privado e chega ao setor público
e autárquico. Daí, a também
forte redução de pessoal. E de
modo geral, essa mão-obra desempregada
está usando seu FGTS ou o "estímulo
financeiro" concedido nos casos de demissão
voluntária, como capital para tentar
novas atividades na economia informal ou na
economia formal, especialmente cooperativista.
E assim, multiplicam-se rapidamente as cooperativas
de profissionais e técnicos para a prestação
de trabalho especializado em um mercado cada
vez mais competitivo, cooperativas de professores
ou de pais e mestres para melhorar o nível
do ensino básico sem aumento desordenado
das mensalidades pagas, cooperativas de crédito-mútuo
ou cooperativas que unem trabalho e capital
para a concretização do sonho
da casa própria...
A
multiplicação de cooperativas
de trabalho é rápida também
porque a Constituição Federal
de 1988 eliminou vários entraves burocráticos
resultantes da obrigatoriedade de fiscalização
da cooperativa por seu órgão normativo
(BNCC conveniado com o BC para as cooperativas
de crédito, BNH para as cooperativas
habitacionais e INCRA para todas as demais cooperativas),
e outorgou às cooperativas sua própria
autogestão.
Enquanto
não surgir nova lei cooperativista caberia
ao Sistema OCB a orientação do
movimento cooperativo, bem como a manutenção
atualizada do cadastro das sociedades que o
Movimento Cooperativo Brasileiro considera cooperativas.
Mas o próprio sistema OCB está
em reorganização para se adaptar
ao Plano Real. Com estrutura em forma de pirâmide,
compreende a OCB, Organização
das Cooperativas Brasileiras (com sede em Brasília),
na cúpula: depois vêm suas filiadas
estaduais, as OCE's ou Organizações
Cooperativas Estaduais (sediadas nas capitais
dos Estados) e, na base, as cooperativas inscritas
em cada OCE.
Vejamos,
a seguir, alguns impactos do Plano Real sobre
os principais setores do movimento cooperativista
brasileiro. Destacaremos as cooperativas dos
centros urbanos brasileiros devido ao excepcional
dinamismo de algumas categorias cooperativistas
durante o Real. Isto significa que excluímos
as chamadas cooperativas de trabalhadores rurais
volantes ou de "bóias frias"
- raras, pouco representativas e polêmicas,
geralmente consideradas falsas cooperativas
e criticadas pelo próprio movimento cooperativista
brasileiro.
Entre
as cooperativas urbanas, o destaque é
para as cooperativas de trabalho, as cooperativas
de crédito-mútuo e as cooperativas
de consumo. E no setor agrupecuário,
para as cooperativas de produtores agrícolas
e de crédito agrícola. Outros
tipos de cooperativas, inclusive mistas, não
serão tratados no limitado espaço
deste capítulo, embora também
sofram os principais impactos que afetam, de
modo geral, todas as categorias de cooperativas
de nosso País.
1.
Cooperativas Urbanas de Trabalho
Os
cooperativistas costumam distinguir as cooperativas
de trabalho das cooperativas de serviços,
de acordo com recomendação da
OIT(Organização Internacional
do Trabalho): as cooperativas de trabalho ou
de trabalhadores propiciam trabalho a seus associados,
profissionais autônomos, mediante contratos
ou convênios com terceiros, pessoas jurídicas
públicas e/ou privadas; e as cooperativas
de serviços atendem à demanda
de seus associados, geralmente trabalhadores
ou agricultores independentes, quanto a equipamentos,
comercialização, crédito
e outros serviços.
As
cooperativas urbanas de trabalho representam
a forma organizatória mais procurada
pelos desempregados durante o Plano Real. Aliás,
em maio/96, o nível de desemprego aferido
pelo IBGE em seis regiões metropolitanas,
foi o maior registrado desde 1992, se comparado
a cada mês desse período. É
que ao efeito das tecnologias poupadoras de
mão-de-obra e da dura concorrência
dos importados, sobrepôs-se a forte desaceleração
da economia promovida pelo Governo, o que alterou
substancialmente o cenário econômico.
Então,
os ex-trabalhadores da área privada e
da área pública passaram a utilizar
suas pequenas poupanças, o FGTS ou a
"recompensa financeira" que receberam
por demissão voluntária, para
integralizar cotas de associados de cooperativas
em funcionamento, ou para fundar nova cooperativa
de trabalho.
Os
associados são profissionais ou técnicos
autônomos que buscam, pela união
de recursos e da força-de-trabalho, adquirir
tecnologia, investir em marketing, administrar
contratos, negociar com clientes a prestação
de serviços, solucionar problemas econômicos
e outros, segundo as normas da legislação
cooperativa em vigor no Brasil.
Devido
à diversificada tipologia da categoria
"cooperativas de trabalho" e os limites
deste estudo, veremos,as formas organizatórias
mais em evidência durante o Real: cooperativas
da área de saúde - médicos,
odontólogos, psicólogos e outros
profissionais qualificados; cooperativas da
área cultural - especialmente as recém-criadas
cooperativas de ensino; cooperativas de serviços
técnicos, transporte, artesanato e algumas
outras.
1.1.
Cooperativas da Área de Saúde
Cooperativas de trabalho
médico Há vários modelos
de cooperativas de prestação de
serviços médicos. Seus associados
podem ser profissionais de diversas especialidades,
ou especialistas de determinada área
(cooperativa de anestesistas ou de cardiologistas,
por exemplo), ou cirugiões e suas equipes
de apoio etc.
Em
todos esses casos, os associados são
autogestores da empresa cooperativa: contratam
a prestação de servicos com terceiros,
constroem ou alugam hospitais e ambulatórios,
e/ou fazem convênio com hospitais públicos
ou particulares, centros cirúrgicos,
UTIs, berçários, ambulatórios
etc.
É
raro mas há, também, cooperativas
que têm como associados tanto médicos
como usuários ou pacientes. Ou cooperativas
somente de usuários dos serviços
de saúde (especialmente no caso de doenças
crônicas), nas quais os médicos
são profissionais contratados. Em qualquer
caso, as taxas de pagamentos dos associados
são fixadas com base nos custos dos serviços,
na remuneração dos profissionais
e na taxa de administração da
cooperativa.
No
Brasil predomina o tipo de cooperativa constituída
por médicos-cooperados de diversas especialidades,
que atendem, em seu próprio consultório
ou clínica e mediante prévia marcação,
os portadores de carteira expedida pela Cooperativa.
Na carteira está inscrito o Plano de
Saúde que foi conveniado com a cooperativa
de médicos. Tais planos, que vão
do mais simples ao mais abrangente, são
contratados com a cooperativa por empresas públicas
ou privadas, para seus funcionários e
dependentes, ou por pessoas físicas,
para si e seus dependentes. As prestações
mensais variam de acordo com a abrangência
de cada plano, a faixa etária do paciente
etc.
Cooperativas de odontólogos,
psicólogos, enfermeiros, técnicos
de laboratórios de análises etc
Adotam
mecanismos de funcionamento, de remuneração
dos profissionais associados, de custos e de
planos de atendimento, semelhantes às
cooperativas de médicos.
Repetem-se
nas cooperativas da área de saúde,
as principais conseqüências diretas
do Plano Real já indicadas para as cooperatrivas
em geral: descapitalização, terceirização,
cortes de despesas com pessoal, com material
e equipamentos, aceleração da
busca de qualidade e produtividade etc.
No
caso das cooperativas da área de saúde,
entretanto, podem ser apontadas algumas conseqüências
indiretas peculiares, decorrentes da imperiosa
necessidade de enxugamento de custos. Assim,
como as empresas de todos os tipos de atividade,
quer sejam privadas ou públicas, estão
reduzindo sua mão-de-obra, surgem, pelo
menos, três situações novas
que agravam os custos dos planos de atendimento
à saúde:
as firmas contratantes
diminuem o volume de seus contratos;
os desempregados,
como pessoas físicas, não têm
condições financeiras de subscrever
planos ou seguros de saúde;
aumenta muito a procura
de atendimento ambulatorial, hospitalar, odontológico,
psicológico e outros, por parte dos recém-desempregados,
já que a firma empregadora geralmente
garante ao demitido o direito a essas assistências
durante seis meses. Então, diante da
intranqüilidade do amanhã, o desempregado
procura tratar os problemas de sua saúde
e de seus dependentes, antecipando intervenções
cirúrgicas não urgentes, realizando
exames, quer sofisticados, quer laboratoriais
rotineiros, para prever possíveis tratamentos
dispendiosos etc. Deturpa-se, portanto, o objetivo
da medicina preventiva e desarticulam-se os
cálculos de probabilidades de atendimento
dos segurados, que constituem a base da previsão
de custos dos planos de saúde.
Ao
mesmo tempo, a proibição de repassar
o aumento dos custos dos planos de saúde
às empresas contratantes, contribui para
complicar a já difícil situação
financeira das empresas privadas do setor saúde.
E
por último, porém não menos
importante, há o problema da deterioração
da estrutura de assistência à saúde,
já que as empresas nem sempre conseguem
repor as peças de seus equipamentos,
quanto mais adquirir avançadas tecnologias
para exames especializados. Sem os ganhos das
aplicações financeiras e sem linhas
especiais de crédito, estão impossibilitadas
de fazer novos investimentos, prevendo-se, além
de significativo sucateamento, impossibilidade
de atendimento condigno em futuro próximo.
Dentre
as cooperativas de trabalho, merecem referência
especial:
o complexo UNIMED,
por ser um modelo que já ultrapassa três
décadas de prestação de
serviços na área da saúde,
apesar de todas as adversidades conjunturais
e estruturais da economia brasileira;
as COOPERs de SAÚDE
, criadas pelo PAS, Plano de Assistência
à Saúde, da Prefeitura da Cidade
de São Paulo.
Complexo UNIMED
Denominado
Complexo Cooperativo Empresarial Comunitário
UNIMED, começou a funcionar em 1967,
apenas com a primeira cooperativa de trabalho
de médicos, fundada em Santos (Estado
de São Paulo), por Edmundo Castilho.
E reune atualmente reune uma dezena de organizações-tipo
como a UNIMED Seguradora, UNIMED Administradora,
UNIMED Sistemas (rede de informática
e "softwares" de uso nacional e internacional),
UNIMED Participações, a UNIMED
Mercosul, a UNIMED Sindicato Patronal, UNIMED
cooperativa de trabalho médico, Unicred
(cooperativa de crédito), CEU (Centro
de Estudos UNIMED) e USIMED (cooperativa de
usuários de serviços de saúde).
Além disso, o Complexo UNIMED representa
as cooperativas do setor saúde da América
Latina junto à Aliança Cooperativa
Internacional (ACI), fundada em 1895 e que reune
atualmente cooperativas de 82 países-membros,
o que significa uma população
aproximada de 700 milhões de pessoas.
Dentre
os componentes do Complexo UNIMED, deve ser
destacada, por sua importância e originalidade,
a UNIMED MERCOSUL , fundada em 1995, com o objetivo
principal de desenvolver um sistema de cobertura
assistencial aos usuários dos planos
de saúde da UNIMED/Brasil e cooperativas
similares dos países do Mercosul, com
residência temporária em um desses
países ou simplesmente em trânsito,
mediante a apresentação da Carteira
Assistencial UNIMED-CASMU.
Somente
com a pluralidade de funções e
a firme determinação dos médicos-associados
é que o Complexo UNIMED conseguiu sobreviver
aos "choques" e "pacotes"
dos últimos dez anos, além de
outras turbulências provenientes sobretudo
da interferência do Governo no mercado
dos planos de saúde.
No
primeiro ano do Plano Real, as UNIMEDs enfrentaram
a persistência de problemas conjunturais
anteriores mas agravados pela descapitalização
acelerada decorrente do fim da "ciranda
financeira" e dos altos juros bancários.
Então, as UNIMEDs aceleraram a racionalização
de seus serviços e a revisão de
seus custos. Não puderam mais fazer investimentos
em hospitais, ambulatórios e avanço
tecnológico em geral, por falta de recursos.
Mas têm contado com a compreensão
dos médicos-associados-cooperadores,
que passaram a contribuir diretamente para a
captação interna dos recursos
indispensáveis a seu adequado funcionamento.
No
balanço geral, as cooperativas do complexo
UNIMED consideram positiva a reengenharia administrativa
que intensificaram devido ao Plano Real. Entretanto,
manifestam esperança na retomada do desenvolvimento
do País, em base duradoura e auto-sustentável,
para a criação de condições
de reinício de investimentos infra-estruturais
e para a ampliação de seus serviços
no Brasil. Além disso, concentram esforços
para sua internacionalização,
seguindo a tendência da economia globalizada.
COOPERs DO PAS
Merece
citação especial, por sua originalidade
e pioneirismo na área da saúde
pública, a recente experiência
idealizada pela Prefeitura da Capital paulista
- o PAS ou Plano de Assistência à
Saúde com base em cooperativas.
Inicialmente
foi prevista a criação da COOPERSAÚDE
ou Cooperativa de Desenvolvimento da Saúde
da Comunidade, nas medidas preparatórias
da experiência-piloto de Perus-Pirituba.
Mas a proposta do PAS foi sendo rapidamente
ajustada aos problemas que surgiam na prática.
Assim, por exemplo, previa-se que os cooperados
seriam todos os funcionários do setor
da saúde da prefeitura. Mas na realidade,
houve resistência de uma parte do corpo
médico e de funcionários de nível
médio.
Essa
resistência, que geralmente ocorre quando
são implantadas mudanças, no caso
do PAS recebeu um componente de caráter
político, acirrado durante a disputa
eleitoral de candidados a prefeito do município
de São Paulo.
Logo
em seguida à experiência cooperativista
de Perus/Pirituba, a prefeitura dividiu a cidade
de São Paulo em 14 módulos - 1.Centro,
2. Butantã/Lapa, 3. Ipiranga/Sapopemba,
4. Mooca/Vila Matilde, 5. Itaquera/Guainazes,
6. São Miguel Paulista, 7.Santana, 8.
Perus/Pirituba, 9. Parelheiros, 10. Campo Limpo,
Freguesia do Ó/ Brasilândia, 12.
Jabaquara, 14. Ermelino Matarazzo, 15. Tatuapé/Penha
(nota: não há o no 13).
Cada
um dos 14 módulos conta com hospital,
posto de saúde e pronto-socorro, gerenciados
por uma COOPER-PAS ou "cooperativa-mãe",
que reúne funcionários públicos
municipais de nível superior que aderiram
ao PAS (médicos, psicólogos, nutricionistas,
enfermeiros). Entre suas funções
estão a administração da
verba repassada pela prefeitura, contratação
e dispensa de pessoal, realização
de compras etc.
Em
cada módulo, subordinada à COOPER-PAS,
encontra-se a COOPERMED, constituída
por funcionários de nível médio
da prefeitura, como auxiliar de enfermagem,
auxiliar administrativo, segurança e
outros.
E
com a função de preencher as vagas
de funcionários que não aderiram
ao PAS, foi criada também, em cada módulo,
a COOPERPLUS, cooperativa que reúne médicos
e pessoal de nível médio que não
trabalhavam na prefeitura. Não tem poder
de decisão e destina-se a suprir as vagas
de funcionários que não aderiram
ao PAS
Os
usuários são pessoas que não
têm recursos para subscrever planos privados
de saúde. Inicialmente previa-se seu
cadastramento pelo PAS, mediante compromisso
da Prefeitura Municipal pagar uma taxa mensal
por pessoa cadastrada. Depois a prefeitura dispensou
a apresentação de "carteirinha"
de cadastramento e adotou o repasse de verbas
às cooperativas-mães, COOPERPAS,
pela estimativa de usuários da rede municipal
de cada módulo - ou ppc, população
potencialmente cadastrada. O valor de R$ 10,96
por usuário em potencial é menor
do que os doze reais que foram estimados pela
FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas), da Universidade de São
Paulo, com base em enquete junto às seguradoras
de saúde.
A
prefeitura repassa à COOPERPAS, ainda,
recursos para a reforma de hospitais, compra
de equipamentos, ampliação do
número de leitos etc.
As
despesas da COOPERPAS são constituídas
de pagamento aos cooperados, às cooperativas
subcontratadas, serviços de manutenção
e compra de medicamentos.
O
controle das despesas das COOPERPAS é
feito, em cada uma delas, por meio de serviços
contábeis realizados por empresa contratada;
auditoria de empresa auditora também
contratada, cujo relatório é enviado
mensalmente à Prefeitura; e análise
externa, a cargo da FIA, Fundação
Instituto de Administração, da
USP, que analisa a eficácia da gestão
de todas as cooperativas..
De
modo geral, os funcionários públicos
municipais, reconhecidamente mal remunerados
apesar da relevância de suas atribuições,
encararam sua participação no
PAS como importante oportunidade para melhorar
suas condições de trabalho e de
remuneração. Foram licenciados
de suas funções na prefeitura
para ingressar na COOPERPAS ou na COOPERMED.
Para evitar o emperramento dos trabalhos programados
pelo PAS, os funcionários públicos
municipais que não aderiram ao PAS foram
remanejados e, para desempenhar suas funções,
a Cooperplus conta com pessoal que não
trabalhava na Prefeitura de São Paulo..
A
remuneração dos cooperados varia
de acordo com o número de horas trabalhadas.
De modo geral, em fim de outubro de 1996, para
20 horas semanais de trabalho : um médico
recebia R$ 3.200; um dentista, R$ 2.500; um
assistente social, R$ 2.000; um auxiliar de
enfermagem R$ 1.000 e um escriturário,
R$ 600 - níves considerados bem maiores
que os anteriores, quando trabalhavam como funcionários
muncipais. Mas há também a possibilidade
de que, se houver "sobra" ou diferença
positiva entre receita e despesa, um percentual
será dividido entre os cooperados, na
proporção das horas trabalhadas.
Outro
ponto forte do PAS é a observação
do horário de atendimento. Todos cumprem
o horário de trabalho e não há
mais sabotagem de aparelhos, como os de raioX,
antes tão freqüentes.
1.2.
Cooperativas da Área Cultural
Ensino
deficiente, professores mal remunerados, elevadíssimos
índices de evasão escolar e repetência,
compõem o quadro atual do ensino público
oficial. Então, ao invés de atuar
como mecanismo de mobilidade social, a escola
pública mantém e até amplia
as desigualdades sociais...
E
assim, os pobres, que só têm acesso
à precária educação
estatal, são barrados nos vestibulares
das melhores faculdades oficiais gratuitas do
País, enquanto aqueles que podem pagar
uma boa formação básica
chegam ao melhor ensino superior e, conseqüentemente,
aos melhores empregos públicos e privados.
A
necessidade de equacionamento desse problema
torna-se mais urgente quando se considera, não
apenas a situação de injustiça
social interna, mas também a necessidade
de mão-de-obra qualificada para a integração
do País no mercado mundial globalizado.
As
cooperativas, entretanto, têm possibilidade
de contribuir para a atenuação
dos problemas internos do País, desde
que funcionem democraticamente e contem com
a participação e a fiscalização
dos próprios associados.
Aliás,
em vários Estados brasileiros estão
em plena expansão as cooperativas que
reunem pessoas de seguimentos sociais de renda
média, cujo objetivo principal consiste
em oferecer a seus filhos elevado padrão
de ensino básico a preço de custo.
Como os pais não têm condições
de pagar os elevados preços das instituições
consideradas de primeira linha, e rejeitam o
decadente ensino público, a alternativa
é o cooperativismo. Daí, a multiplicação
de cooperativas de professores, ou de pais e
mestres (ensino em todos os níveis) ou
de alunos (ensino técnico).
No
setor educacional o cooperativismo representa,
portanto, uma esperança. Mas ainda tem
um longo caminho a percorrer, sobretudo porque
até agora permanece limitado quase exclusicamente
ao ensino primário e secundário.
Nas áreas de pesquisa e tecnologia, porém,
estão em plena eferverscência as
cooperativas de trabalho, que reunem especialistas
e técnicos, como se verá no item
seguinte.
Ainda
na área cultural, estão surgindo
cooperativas de artistas de teatro, cinema,
TV, rádio, orquestra, e outras. No Estado
de São Paulo, a desativação
de serviços culturais oficiais, sobretudo
da área estatal, devido em grande parte
à cessação de comissionamentos,
no início de 1995, provocou não
apenas a criação de cooperativas
de artistas, como também o aumento dos
associados de cooperativas culturais já
existentes.
1.3.
Cooperativas de Áreas Técnicas:
Direito,
Informática, Comunicação,
etc.
Neste
setor o crescimento cooperativista tem sido
excepcionalmente significativo. A título
de exemplo destacaremos algumas recentes cooperativas
de técnicos de diversas áreas:
COOPERTEC, Cooperativa
de Serviço de Técnicos de Engenharia
e Administração do Estado de São
Paulo, foi fundada na Capital de São
Paulo, por ex-funcionários da extinta
COBRAP - Cia. Brasileira de Projetos Industriais;
EMANEZ - Sociedade
Cooperativa Ltda de Prestação
de Serviços, em São Paulo (SP),
que reune um grupo Multiprofissional para sua
defesa econômica, jurídica e social,
e para aprimoramento, entrosamento e complementação
de suas atividades;
COONATUR, Cooperativa
dos Profissionais da Área de Natureza
e Turismo Ltda, sociedade multiprofissional
e interdisciplinar, que desenvolve atividades
na área do ecoturismo, meio ambiente
e educação ambiental, nos campos
privados e com interconexões com profissões
e áreas afins.
GCA, Sociedade Cooperativa,
em São Paulo (SP), reúne profissionais
com vivência multidisciplinar e experiência
profissional em empresas privadas e públicas.
O amplo elenco de suas atividades inclui proteção,
preservação e gestão ambiental.
GEOCOOP, Cooperativa
de Trabalho dos Consultores Ltda, no Rio de
Janeiro (RJ) que oferece projetos de engenharia
e estudos ambientais.
DOMINIUM Coop, Cooperativa
de Trabalho dos Profissionais das Áreas
de Serviços Ltda, do Rio de Janeiro (RJ),
que oferece auditoria, assessoria e consultoria
a cooperativas, bem como serviços de
fundação, legalização,
contabilidade e administração
de cooperativas.
GOLDENCOOP/CG, Cooperativa
de Trabalho de Pesquisa e Promoção
de Vendas de planos de saúde especiais
da Golden Cross para cooperativas, que funciona
no Rio de Janeiro (RJ).
PROCOOP, Cooperativa
de Profissionais em Projetos, Orçamentos
e Obras Ltda, no Rio de Janeiro (RJ), que trata
de orçamentos, planejamentos e serviços
de engenharia mecânica, elétrica
e civil.
JOINT CONSULT, Cooperativa
de Consultores de Processamento de Dados Ltda,
no Rio de Janeiro (RJ), que desenvolve sistemas
e faz manutenção de micro-computadores.
ENFOQUE, Cooperativa
de Trabalho de Profissionais Especialistas em
Sistemas Empresariais Ltda, no Rio de Janeiro
(RJ), que oferece soluções para
sistemas empresariais.
COOPA-ROCA, Cooperativa
de Trabalho Artesanal e de Costura da Rocinha,
no Rio de Janeiro (RJ) - citada na publicação
da DOMINIUM, Informativo das Cooperativas (ano
I, nº 4, p.7), "Cooperativismo Popular
ou Cooperativismo Selvagem ?"
COOPERDATA, que reuniu,
inicialmente, 450 digitadores da SERPRO (Serviço
de Processamento de Dados).
Outras
muitas cooperativas estão em fase de
organização na área técnica.
Representantes do Instituto Victus Cooperativa
de Trabalho, consideram, porém, que se
trata de um movimento periférico em relação
ao sistema OCB. Aliás, no Rio de Janeiro
(RJ), a grande safra de novas cooperativas de
trabalho vem estimulando o debate sobre a representatividade
do sistema OCB, com o argumento principal de
que a Organização das Cooperativas
Brasileiras sempre esteve mais próxima
do cooperativismo agroindustrial. Deve-se observar,
porém, que apenas recentemente o setor
cooperativista de trabalho começou a
crescer, enquanto as cooperativa de produtores
rurais surgiram com o cooperativismo brasileiro,
no final do século passado e foram estimuladas
pelos poderes públicos para a defesa
de determinados produtos agrícolas de
consumo interno e de exportação.
1.4.
Cooperativas de Transporte
Funcionam
no Brasil, há muito tempo, cooperativas
de taxistas, motoristas, caminhoneiros e outros.
A novidade, no período do Plano Real,
é o aumento do número de seus
associados e, ao mesmo tempo, a criação
de várias outras cooperativas semelhantes,
nas principais cidades brasileiras.
Recente
exemplo de cooperativação de desempregados
é a Cooperativa Comunitária de
Transpostes Coletivos, fundada na Capital paulista
por 500 ex-funcionários da CMTC. Há,
também, a CVT, Cooperativa Transportadora
de Veículos, que trabalha para empresas
montadoras.
Nas
grandes capitais brasileiras o aumento crescente
do tráfego áereo vem exigindo
o aumento de pessoal qualificado, desde pilotos
a controladores de vôo e pessoal de escritório,
o que justifica o recente aparecimento de cooperativas
nesse setor. Ao mesmo tempo, nas cidades portuárias,
estão surgindo mais cooperativas de transporte
marítimo ou fluvial, de práticos
de porto etc
Vejamos,
a seguir, a problemática categoria cooperativista
de consumo, embora historicamente tenha sido
a primeira cooperativa fundada no Brasil de
que se tem notícia - a Associação
Cooperativa dos Empregados da Cia. Telefônica,
em Limeira (SP), em 1891.
2.
Cooperativas de Consumo
De
modo geral, as cooperativas de consumo não
têm conseguido sobreviver à concorrência
das grandes redes de super e hipermercados.
Abaladas por insolvências crônicas,
seus problemas são também agravados
pela falta de estrutura cooperativa própria
de financiamento, ou seja, de um Banco das Cooperativas
- que está em processo de criação,
como já foi dito (cf. nota 2 no final
deste capítulo). E nos períodos
em que os supermercados capitalista tiveram
acesso a linhas especiais de crédito,
as cooperativas foram excluídas porque
seu capital social é constituído
de cotas-partes impenhoráveis.
Por
outro lado, desde que, há muitos anos,
foi suspensa a isenção do imposto
de circulação de mercadorias,
as cooperativas de consumo começaram
a decair. Somente umas poucas, abertas ao público,
racionalizaram-se e ampliaram-se, conseguindo
relativo sucesso porque venceram o empirismo
e partiram para o modelo de administração
empresarial. Já as cooperativas de consumo,
fechadas a empregados de grandes empresas públicas
ou privadas, continuam sendo pequenos "negócios"
dependentes do "paternalismo" empresarial.
Entre
as poucas exceções de cooperativas
de consumo que conseguiram sobreviver aos desastrados
"pacotes" de estabilização
da economia brasileira, está a COOPERHODIA
- Cooperativa de Consumo dos Empregados do Grupo
Rhodia, que desde 1976 abriu suas portas à
comunidade. Em vinte anos o número de
associados da rede COOPERHODIA saltou de pouco
mais de 17 mil para 500 mil. Em outubro/96 a
COOPERHODIA informou alguns dados importantes
de seu complexo cooperativo, na revista COOPERHODIA
Escrita (ano XIX, n.153): 10 lojas totalmente
informatizadas; 17.000 itens comercializados;
3 Drogarias; corretora de seguros de automóveis,
residências, vida e acidentes pessoais
a todos os associados, além dis 500 mil
associados da rede - a COOPERHODIA Corretora
de Seguros Ltda.
Outro
assunto que durante muito tempo preocupou as
cooperativas de consumo e hoje parece superado,
é a polêmica correção
monetária do capital dos associados.
Atualmente predomina o entendimento de que essa
correção só seria possível
nas cooperativas de crédito, já
que nas demais categorias de cooperativas o
capital social destina-se a prestar serviços
aos cooperados e não a empréstimos
financeiros. Não têm a finalidade
de frutificar, de render juros porque são
capital-meio e não capital-fim, ou seja,
não é usado para reprodução
econômica. Na cooperativa de consumo,
o capital-meio é obrigatoriamente aplicado
na aquisição de bens necessários
à economia pessoal e doméstica,
para atendimento da demanda dos próprios
associados.
De
qualquer forma, polêmicas à parte,
o que se verifica é que a categoria cooperativista
de consumo já vinha fenecendo há
muito tempo. Descapitalizaram-se principalmente
com o fim da ciranda financeira e com as medidas
anti-inflacionárias do Plano Real. Sem
adequado capital de giro, não têm
condições de competitividade em
nível de nossa economia interna, nem
de ajustar seu funcionamento para a emergente
economia global.
3.
Cooperativas Agrícolas
A
maioria enfrenta graves problemas. Aliás,
tal como os agricultores brasileiros, há
muitos anos as cooperativas estão fenecendo,
submersas em grave endividamento junto a bancos
oficiais, devido sobretudo às elevadas
taxas de juros - as quais, por sua vez, são
reflexo, sobretudo, dos crescentes déficits
orçamentários do País e
da desordem das contas públicas.
Mas
no setor agrícola-cooperativo a questão
também apresenta o complicador sempre
citado - a falta de um Banco das Cooperativas,
que apesar de constituir antigo anseio cooperativista,
apenas recentemente começa a se tornar
realidade (cf. nota 2 no final deste capítulo).
E além disto, apresenta também
os problemas dos produtores agrícolas
brasileiros decorrentes da escassez de créditos
oficiais especiais, destinados à agricultura,
área que no mundo inteiro conhece problemas
recorrentes.
Devido
à falência do Estado brasileiro
como provedor de recursos financeiros, as cooperativas
de produtores agrícolas tentam socorrer
seus associados inadimplentes com o setor bancário.
Nos casos em que adiantaram recursos para o
plantio e assumiram, ao mesmo tempo, pesados
compromissos com bancos comerciais, foram obrigadas
a sacrificar seu capital de giro ou desfazer-se
de parte do ativo fixo para atender os pagamentos
de empréstimos.
Enfrentando
todas as dificuldades, todavia, 8 (oito) grandes
cooperativas agrícolas, reunidas na "Trading
Cooperativa" EXIMCOOP, Exportadora e Importadora
de Cooperativas S/A, vêm operando desde
1990 na compra de soja, farelo e óleo,
que revendem para sua subsidiária GRAINCOOP,
em Curaçao, a qual negocia com um grupo
de 40 clientes compradores na Europa. Segundo
o Informativo OCB, de jan/96, a Eximcoop apresentou
expressivo volume de compras em 1995; algo em
torno de US$ 550 milhões, incluindo as
operações nos mercados externo
e interno.
Solução
criativa para reduzir custos operacionais, utilizar
incentivos governamentais, obter financiamentos
especiais e reduzir os riscos, a EXIMCOOP surgiu
para comercializar, no exterior, os produtos
das cooperativas associadas e importar insumos
para a produção agropecuária.
Com sede em São Paulo (SP), suas atuais
oito cooperativas-fundadoras localizam-se nos
Estados de Santa Catarina, Paraná, São
Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
4.
Cooperativas de Crédito
Os
reajustes impostos no primeiro ano do Real refletiram-se
diferentemente nas cooperativas de crédito
agrícola e nas cooperativas de crédito-mútuo
urbanas.
no caso do crédito
agrícola, não houve praticamente
benefícios imediatos por vários
motivos, entre os quais o ressurgimento dessas
cooperativas somente com o fim do regime ditatorial,
dada a grande oposição que sofreram
de 1964 até os anos 80. E quando tais
cooperativas começaram a reaparecer,
sobretudo partir da metade dos anos 80, encontraram
os agricultores descapitalizados e, freqüentemente,
inadimplentes. Por isso, o falido Estado Brasileiro
deixou as cooperativas de crédito agrícola
ocuparem o espaço que não mais
lhe interessava, nem tampouco interessava ao
setor bancário capitalista.
no caso do crédito
mútuo, paradoxalmente, as cooperativas
poderiam se desenvolver porque a inflação,
durante o Plano Real, está sendo mantida
em baixos níveis, como vimos: cerca de
1% ao mês, sendo que em setembro de 1996
a Fipe registrou índice inflacionário
de 0,07 na Capital de São Paulo. Mas
justamente agora, a capacidade de empréstimo
está diminuindo por outra causa: as elevadas
taxas de desemprego. Ou explicando de outro
modo: como os empréstimos concedidos
dependem da capacidade de poupança dos
associados, geralmente funcionários de
empresas privadas ou públicas, as demissões
em massa dos trabalhadores reduzem drasticamente
a capacidade de poupança da cooperativa
de crédito mútuo.
Todos
os tipos de cooperativas de crédito,
tal como as cooperativas de outras categorias,
ainda sofrem outros problemas, não menos
importantes. Lamenta-se mais uma vez, a longa
demora na constituição de um Banco
Cooperativo do Brasil (cf. nota 2, no final
deste capiítulo) que lhes ofereça
crédito adequado, sem paternalismo, nem
a exploração dos altos juros bancários
capitalistas. Tal lacuna, que apenas recentemente
começa a ser superada, insiste-se, é
também remanescência da longa oposição
do Estado autoritário, iniciada em 1964
quando desmantelou deliberadamente as cooperativas
de crédito agrícola e urbano.
A base dessa oposição não
era, de fato, técnica mas resultava de
interesses financeiros-corporativistas, que
temiam a concorrência das cooperativas.
Apesar
de tanta adversidade, as cooperativas de crédito
rural e urbano, entretanto, buscam crescer via
integração vertical (Centrais,
Federações e Confederações),
como se observa no Rio Grande do Sul. Tal crescimento,
entretanto, tende a ser revisto diante da tendência
de se substitutir a verticalização
das empresas pela horizontalidade, a caminho
da redução de custos e da qualidade
total.
Observações
Finais
A
mais visível consequência do Real
sobre as atividades cooperativistas é
o aumento acelerado da descapitalização
e, conseqüentemente, a diminuição
do capital de giro, dos investimentos em ampliação
e/ou novas instalações, máquinas
e equipamentos, bem como em treinamento de pessoal.
A
incidência de tais problemas, entretanto,
é mais grave nas categorias de cooperativas
que já apresentavam sérios problemas,
especialmente as agrícolas e as de consumo.
Já as cooperativas de crédito-múto
e o emergente setor cooperativista de crédito
agrícola, encontram no Plano Real a compensação
de conseguir recompor seus planos de empréstimos
aos associados a juros módicos - o que
era impossível em economia corroída
por inflação galopante. Por outro
lado, o extraordinário crescimento atual
das cooperativas urbanas de trabalho e de prestação
de serviços resulta, sobretudo, da intensa
necessidade de busca de novas formas organizatórias
da mão-de-obra liberada pela aceleração
do desemprego e pelas "demissões
voluntárias" em empresas privadas
e públicas.
Outro
aspecto das conseqüências do Plano
Real sobre as cooperativas, talvez o menos visível
porém de importância fundamental,
é o grande impulso que as obrigou a enfrentar
o desafio de reengenharia interna e, ao mesmo
tempo, de aceleração da busca
de Qualidade e Produtividade segundo os padrões
impostos pela economia globalizada e planetária.
Em
todos os casos as cooperativas - - associações
sem fim lucrativo cuja variada tipologia dedica-se
ao atendimento de necessidades econômicas,
sociais e educacionais dos próprios associados
- procuram ajustar-se às difíceis
etapas de estabilização da economia.
Mas precisam multiplicar ainda mais suas forças
para se adequarem também à globalização
e à Sociedade Informacional ou do Conhecimento,
que revolucionam nosso final de século
e de milênio.
Nunca
será demais lembrar, entretanto, que
as cooperativas têm uma potencialidade
muito importante porque conseguem conjugar a
racionalidade econômica a uma proposta
de caráter doutrinário. Assim
é que, no plano macro, representam formas
organizacionais com possibilidade de atuar como
técnica e, ao mesmo tempo, como ética
reguladora dos mecanismos econômicos,
sem prejuizo da utilização prática
das conquistas da ciência e da tecnologia;
e no plano micro, revelam-se eficientes guardiãs
da cultura e dos valores locais, formadoras
da cidadania responsável, centro de treinamento
e de participação democrática
e, sobretudo, forma de equilíbrio entre
as forças conservadoras e as forças
de mudanças que estão ocorrendo
no sistema Estado-Nação e nas
relações de poder.
Nota: Em 26/setembro/96,
o presidente do Banco Central, Gustavo Loyola,
recebeu do presidente da OCB, Dejandir Dalpasquale
, acompanhado de representantes do segmento
cooperativo de crédito, a declaração
de propósito de criação
do Banco Cooperativo do Brasil. Esta instituição
tem como objetivo apoiar as cooperativas de
crédito e oferecer-lhes os mesmos produtos
e serviços de um banco comercial, porém
a custos financeiros mais baixos. O controle
do Banco será efetuado por 11 centrais
cooperativas e terá um capital incial
de R$ 9 milhões. Prevê-se uma rede
bancária-cooperativa com 23 agências
e um total de 337 cooperativas de crédito,
com 4509 mil associados.

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