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4.
GERÊNCIA E DEMOCRATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO:
AS EMPRESAS QUE APRENDEM
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O que são as organizações
que aprendem?
Mario Kempenich: É aquela em que o conhecimento é
a base de tudo que a empresa faz. As empresas do passado precisam
muito do capital dinheiro no negócio da produção.
Hoje em dia, é preciso investir capital humano. A questão
de aprender, até a pouco, a empresa enviava os profissionais
para o treinamento, para fora, para um congresso, para um seminário
etc. Mas não exitia na empresa um sentimento de passar
este aprendizado para outras pessoas. Peter Senge montou um
sistema que permite a empresa disseminar esta informação
pela empresa. Assim, a empresa tem uma maior facilidade de aprender.
É facil transformar uma empresa
numa learning organization?
Roberto Marx: Não é fácil. É
algo que leva tempo e é muito difícil de se avaliar,
de se medir, constar quais as empresas que estão ou não
enquadradas neste contexto. A idéia de organização
que aprende para ser implementada precisa de uma série
de iniciativas que não são fáceis, não
são rápidas. Devem na verdade configurar uma nova
trajetória de mudança de longa prazo. Mudanças
que tem a ver com uma nova estrutura da empresa, com uma nova
estratégia de negócios e, finalmente, com uma
nova forma de trabalhar. Por conter todas estas dimensões,
trata-se de uma questão complexa e que demanda tempo
para sua implementação.
E quais os resultados? As empresas ao
final ficam melhores?
Mario Kempenich: Muitas empresas se dedicam muito a transformar
suas estruturas em estruturas que aprendem e nem sempre o resultado
é o mesmo. As vezes uma empresa dá ênfase
em pesquisa e desenvolvimento, outra opta por trabalhar com
inteligência competitiva, com monitoramente de mercados.
O resultados são diferentes porque os objetivos são
diferentes.
E quais são os empecilhos para
se implantar estas novas formas de administrar o conhecimento?
Roberto Marx: As dificuldades são inerentes às
mudanças. Desde mudanças de comportamento das
pessoas, da maneira como tomam decisões, das formas como
convivem na organização... Todas elas devem ser
modificadas para que a organização torne-se cada
vez mais flexível, mais reativa e, sobretudo, cada vez
mais inovadora.
A empresa que passa a investir neste processo
de transformar-se numa organização que aprende
tem que mudar a sua hierarquia.
Mario Kempenich: As vezes pensa-se que pegar uma estrutura
do piramidal (manda quem pode, obedece quem tem juízo),
então, manda-se as pessoas para fazerem palestras, cursos,
etc e a empresa monta um sistema para transferir estas informações.
Mas não é só isso. É preciso que
a empresa aprenda a trabalhar em grupo, com times, que evolua
das funções para os processos, das células
multifuncionais. Uma empresa pequena, com 20-40 funcionários
pode ser uma learning organization se se estruturar para que
este processo funcione.
Roberto Marx: Não se trata de acabar com a hierarquia
e sim modificá-la. Numa organização que
aprende, a hierarquia continua existindo mas é diferente
da hierarquia numa organização tradicional. Continua-se
tendo chefes e subordinados. Mas as diferenças hierárquicas
são menores e os desníveis de conhecimento também.
Vamos tentar visualizar como uma pequena
empresa tradicional pode passar a ser uma organização
que aprende?
Roberto Marx: Uma organização
qualquer é composta de pessoas. Uma empresa que aprende
é um conjunto de indivíduos que vão aprendendo
ao longo do tempo e a partir daí desenvolvem na empresa
esta capacidade de aprendizado. O aprendizado significa entender,
compreender e aprender com o passado, discutir sobre o passado,
no sentido de orientar as ações futuras da empresa.
Este é um conceito importante para qualquer tipo de organização
que vise o aprendizado constante. Sobre todas as decisões
possíveis: desde as decisões de cunho estratégico
até os aspectos mais simples que envolvem os operadores.
A idéia não é concentrar o aprendizado
no topo da hierarquia, mas sim difundir um conjunto de iniciativas,
de técnicas e de formas novas de comunicação
que permitam a empresa, ao entender melhor o passado, antecipar
o futuro.
Os funcionários numa organização
que aprende não tomam muito o seu tempo com cursos, seminários,
palestras... E o trabalho, quando é que se faz?
Roberto
Marx: Esta pergunta
é importante porque permite esclarecer porque as empresas
têm reagido contrariamente, repelido ou mesmo encontrado
dificuldades sobre o que estamos discutindo aqui. Diga-se, aliás,
que estas propostas que estamos debatendo não é
o que está sendo adotado pela maioria das empresas em
termos, de prática de gestão, mesmo pelas grandes.
A primeira dúvida é se isto não seria perda
de tempo, um investimento sem retorno... Esta questão
é a base de tudo porque o primeiro fator que vai impulsionar
um conjunto de iniciativas na linha do que estamos discutindo
aqui é uma crença, uma compreensão, uma
aposta, do topo da hierarquia, de que este tipo de iniciativa
tem retorno, não só do ponto de vista do financeiro,
da rentabilidade do negócio e dos demais indicadores
empresariais tradicionais; mas também retorno do ponto
de vista individual, das pessoas que estão construindo
a organização. O grande diferencial da organização
que aprende ou que vai nesta direção é
de começar a encontrar vínculos entre os objetivos
empresariais e os objetivos das pessoas, seja individualmente
seja enquanto agrupamento de pessoas trabalhando na organização...
Uma organização que consegue encontrar vínculos
que satisfaçam indivíduos e grupos de indivíduos
com uma satisfação paralela e complementar aos
objetivos empresariais, é uma organização
que tira proveito deste tipo de gestão.
Mario Kempenich: A gente tem percebido que as empresas estão
terceirizando muito as funções de pensamento.
Nas empresas têm muito pouca gente pensando. Tem gente
produzindo, quem produz para o empresário é bem
vindo; quem pensa, ele terceiriza, contrata um consultor. Isto
está levando a uma substituição grande
do pensamento, do pensamento geral, estratégico, tático,
etc. A idéia da learning organization, para resolver
este problema, é que toda a empresa pense o negócio.
Roberto Marx: Um dos aspectos chave da organização
que aprende é não só usar a informação,
mas sobretudo criar conhecimento novo. E para isto precisa dos
times, dos grupos e de uma estrutura que facilite a produção
de conhecimento novo em todos os níveis de organização.
Nem todos os tipos de grupos funcionam. Existem muitos termos
para designar os tipos de grupos, mas nem sempre eles dizem
a mesma coisa. Do ponto de vista da organização
que aprende, o time de trabalho deve ter autonomia e espaço
proporcionado pela organização para que possa
produzir novos conhecimentos.
E há retorno para a empresa?
Roberto Marx: Há retorno para as organizações
que apostam neste jogo a ser jogado. É claro que sempre
há algum investimento: tempo, algum treinamento eventual
e outros itens demandados. Do ponto de vista de retorno, o mais
significativo é ver se a empresa continua bem no mercado
e se aumenta o nível de satisfação dos
colaboradores, etc. A organização que aprende
dá cada vez mais valor à geração
de conhecimento interna. Criar uma ambiente de trabalho em que
possibilte que uma instância de treinamento seja o próprio
local de trabalho. Além do conjunto de treinamentos formais,
as empresas que aprendem consideram cada vez mais o próprio
local para que ocorra discussão em grupo dos problemas
anormais: erros, falhas, problemas de qualidade. Não
no sentido de apontar culpados, mas falhas da organizacão
como um todo. Este tipo de treinamento ainda é muito
pouco usado pelas empresas mas pode configurar-se numa forma
de treinamento muito útil e relevante.
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