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3.
PREPARANDO-SE DESDE JOVEM PARA EMPREENDER
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É
fácil empreender? Como se tornar um empreendedor?
Ronald P. Carreteiro: Não é fácil empreender.
É ilusório o indivíduo se aventurar em
determinado empreendimento sem o trabalho prévio de planejamento
que envolve uma série de informações que
definem o plano de negócio. São informações
de natureza mercadológica, logística, plano de
marketing, plano financeiro, plano contábil, análise
dos concorrentes e principalmente a definição
do negócio que é o produto, que é o serviço,
para atender a quem, a que preço, como distribui-lo,
como produzi-lo etc. Isto compreende um conjunto multidisciplinar
de informações que precisa ser integrado num trabalho
que exige um estilo de vida, uma mudança de comportamento.
Hoje no Brasil, o indivíduo é formado para ser
empregado. O Brasil precisa mudar radicalmente este estilo de
formação que vem desde o primário até
na universidade. O indivíduo pode ser formado para ser
empregado, mas um empregado parceiro da organização,
um empregado empreendedor, que inove, que busque novos caminhos,
que busque a melhoria de serviços, a melhoria de produtos
e o aproveitamento de oportunidades de nichos de mercado. A
formação do empreendedor requer habilidades, conhecimento
e principalmente comportamento: capacidade de assumir riscos,
elevada criatividade, motivação muito grande por
resultados, pela auto-realização.
As nossas escolas formam jovens criativos
capazes de empreender?
Carlos Vogt: Todo o desafio que vive hoje o país
está relacionado com esta questão crucial: como
preparar o jovem profissional para responder aos desafios do
mercado e às necessidades colocadas pelos novos paradigmas
de produção. Até final dos anos 80, o país
vivia dentro de um modelo de produção que se chamou
de substituição de importações.
Este modelo e mais a concepção das nossas instituições
universitárias gerou uma separação entre
o setor universitário e o setor empresarial. Com a abertura
do mercado, com a globalização, o papel da tecnologia
passou a ser chave para as empresas. Iniciou aí uma aproximação
entre o setor educacional e empresarial. Consequentemente, a
partir disso, se gerou a necessidade de se rever o modelo de
formação profissional do país em todos
os níveis.
É possível alterar este
quadro que está aí? Nossos jovens não estão
preparados para ser líderes?
Ronald P. Carreteiro: Isto tem que ser desde pequeno. Isto é
uma filosofia, uma política, uma diretriz. A estrutura
reinante no país é absolutamente conservadora.
A começar pelos professores, em todos os níveis,
são os mais resistentes. Não foram preparados
para este novo cenário. Temos que fazer uma revolução
silenciosa. O empreendedorismo é hoje um grande instrumento
da ciência da administração que o país
não compreendeu. Mas a revolução silenciosa
está em marcha... O emprego tradicional acabou, as universidades
continuam produzindo profissões que estão acabando,
que estão em plena mudança... Imagine você
o jovem que não está sendo preparado para assumir
a responsabilidade pelo seu futuro. 50% dos produtos e serviços
que vamos ter daqui a 10 anos, ainda não foram descobertos.
Então, é uma verdadeira revolução
científica e tecnológica. Isto norteia a expansão.
Os empregos vão ser dados aos talentos que realizam tarefas
complexas com alto grau de complexidade. Os demais empregos
serão robotizados, automatizados e terceirizados. Isto
é o que Peter Drucker já escrever eu seu livro
em 1986 e Rifkin em 1996 escreveu que 75% dos empregos na indústria
devem ser extintos na virada do milênio.
Como deve ser a formação
do jovem? A LDB prevê esta educação empreendedora?
Carlos Vogt: O país precisa de uma reforma urgente
do sistema formal de ensino. O governo está propondo
e tentando encaminhar algumas reformas. Estas reformas deveriam
ser mais rápidas, sobretudo aquela que refere-se a toda
estrutura de escolas técnicas e de escolas terciárias
(colleges) que poderiam atender com urgência a demanda
deste mercado que é muito dinâmico. O país
vive outros desafios que requerem competências técnicas,
capacitação para respostas urgentes, no plano
gerencial, tecnológico etc. Que é fortalecimento
efetivo das micro e pequenas empresas. Hoje se fala muito nos
modelos, do norte da Itália, da Alemanha, etc, mas o
Brasil precisa fazer isto urgente. Se o setor industrial vai
encolher do ponto de vista da capacidade de empregar e se é
o setor de serviços que vai crescer, isto demanda uma
economia em que estes serviços possam ser absorvidos.
Ao mesmo tempo, é preciso ter no país uma capacidade
institucional instalada que respondas às necessidades
dos desafios tecnológicos em vários níveis.
Isto é papel da educação, é papel
da formação. Agregar os elementos, as tecnologias
de gestão, as tecnologias primárias, as tecnologias
sofisticadas e a capacidade de atualizar-se e atualizar-se constantemente.
Para isto é preciso de uma reforma urgente de todo o
sistema educacional brasileiro que vai se refletir em todas
as formas de educação.
Para que essa reforma atenda esta necessidade
de um ensino empreendedor, por onde ela deve começar?
Ronald P. Carreteiro: Temos que começar pelo professor. Não
adianta ir pelo lado do aluno. Temos que ter um amplo programa
de capacitação docente, em todos os níveis.
O professor precisa de ser conscientizado através de
congressos seminário, workshops, a ter visão e
atitude empreendedoras. Se ele se conscientizar, ele vai ajudar
o aluno a promover esta mudança de vida. Hoje o aluno
hoje está recebendo quase que um adestramento. Ele não
está sendo se preparado para a vida, para os desafios
para as oportunidades, para os nichos de mercado.
Como é que os jovens devem se preparar?
Ronald P. Carreteiro: O indivíduo tem que ser instigado desde
jovem a conhecer os mecanismos pelas quais as coisas acontecem.
O jovem está aberto a receber inovações.
O trabalho com o jovem é o despertar do talento, da criatividade,
através de simulações de jogos, experimentos.
Uma mensagem para o jovem que está
em casa nos assistindo?
Ronald P. Carreteiro: Prepare-se para ser empreendedor desde já.
Isto requer uma atitude, uma energia. Saia da passividade e
faça as coisas acontecerem. O passaporte para as organizações
para o próximo milênio é o empreendedorismo.
O mundo todo já visualizou isto.
E o que é uma organização
empreendedora? É uma organização receptiva,
predisposta, preparada para a inovação, para as
mudanças. Isto requer empreendedores dentro das empresas.
As empresas demandam que seus profissionais sejam parceiros
da organização. E isto não é novo.
Várias empresas que adotaram o empreendedorismo, a parceria,
a filosofia da participação, tiveram sucesso.
Por isso, jovem, prepare-se para ser empreendedor.
Esta é a revolução silenciosa que está
em marcha para a virada do milênio. Aquele que tem escolaridade
têm muitas mais chance de sucesso na sua empresa do que
aquele que não tem. Porque o primeiro tem capacidade
de elaborar todas estas informações que compõe
o plano de negócios. Não basta ter grandes habilidades
técnicas, (como ser um bom marceneiro, ser um bom carpinteiro),
se não se tem visão holística, capacidade
para tomar decisões e competências gerenciais.
Isto nos aponta para que a universidade junto
com o SEBRAE (O SEBRAE tem que montar seus cursos "abra
seu próprio negócios" nas universidades,
com as universidade). Possibilitar que todos os profissionais
de todas as especialidades tenham atitude empreendedora.
E quais as universidades estão
realizando esta visão empreendedora?
Ronald P. Carreteiro: Existem várias iniciativas interessantes:
Algumas estão trabalhando seriamente para isto. Em São
Paulo, a Fundação Getúlio Vargas, a Faculdade
de Economia e Administração da USP; no nordeste,
a Universidade Federal do Ceará; em Belo Horizonte, a
Fundação Dom Cabral (com programa para formação
de sucessores) e a UFMG; a PUC-PR, através da UNIPEN
; a PUC Rio; a UFSC (com a Escola de Novos Empreendedores);
o Instituto Franchising (com a Universidade Franchising) , o
CNPq com o programa SOFTEX 2000 (para desenvolver incubadoras
voltadas ao mercado web), a Universidade Católica de
Brasília e a ANPROTEC, uma associação que
congrega todas as empresas incubadoras.
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