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Como será a sociedade do futuro?
J.A. Zuffo: O mundo do futuro depende da evolução
da tecnologia que pode ser prevista a partir de alguns números,
como por exemplo, o crescimento da área microeletrônica
em 45%, das telecomunicações, em 78% ao mínimo
(Internet 250%) e computação. Em breve teremos
uma densa teia mundial conectando todas as pessoas e objetos.
A queda do custo dos circuitos integrados, do chip, faz com
que ele seja incorporado em todos os objetos e equipamentos
que vão estar interligados em rede mundial. O custo das
comunicações vai tender a zero. Numa única
fibra ótica vai ser possível colocar um canal
de tv para cada habitante da terra. O grande problema do futuro
vai ser gerar informações para preencher essa
enorme capacidade de informação que só
será limitada pela capacidade humana de absorvê-las.
Como será o emprego nesta sociedade?
Marcelo Galvão: Estrutura produtiva vai haver. Vamos continuar
produzindo nem que seja conhecimento. Conhecimento, lazer, educação,
saúde, o homem continuará buscando significados.
O que importa é como o cérebro precisa estar neste
contexto em que a grande habilidade humana de lidar com o inédito,
com o desconhecido e, portanto, com coisas mais significativas.
Estamos no fim da "mão de obra" e com oportunidades
de entrar na "cabeça de obra", "emoção
de obra" que é o grande tom dessa nova sociedade.
Como é esta nova sociedade: ela
vai integrar o homem, ele vai estar inserido na empresa, de
que forma?
J.A. Zuffo: Tudo que for repetitivo mesmo de natureza
intelectual vai ser feito por máquinas. O que terá
mais valor serão aquelas profissões que lidam
mais com a criatividade: por exemplo, as áreas artística
e de ciência básica. Em questão de 20 anos
teremos uma sociedade completamente diferente.
Como o brasileiro pode se preparar para
este futuro?
Marcelo Galvão: É chover no molhado falar que a base
está na educação. Uma educação
que ensine as pessoas a lidar com o inédito, com o desconhecido.
A relação de trabalho ainda está baseada
na previsibilidade do modelo anterior. As empresas às
vezes querem desenvolver a criatividade, mas na hora do vamos
ver o que elas querem é uma técnica de tomada
de decisão. Elas não estão preparadas para
a criatividade porque mexe nas relações de poder,
e isto desperta insegurança tanto nos chefes quanto nos
trabalhadores.
J.A. Zuffo: Num mundo em constante mudança devemos
voltar a educação para a criatividade e para uma
base científica e humanística muito sólida
que são as menos mutáveis. Evitar o estudo de
tecnologias muito específicas. Os problemas específicos
vão exigir um curso just
in time. Outro
instrumento é a educação continuada, não
digo apenas para grupos específicos, digo para milhões,
para resolver o problema educacional do país.
E o desemprego?
J.A. Zuffo: A economia da infoera é deflacionária,
a longo prazo todos os preços tendem a zero. Neste contexto,
a inovação é que mantém a empresa
viva com novos produtos. Este esquema leva a uma redução
da massa salarial para a demanda e eleva ao desemprego estrutural.
É necessário que se gerem recursos que compensem
esta queda. A maneira de se compensar isto é a adoção
de um sistema generalizado de bolsas de estudos para os profissionais
desempregados permitindo que eles se atualizem. Se não
acontecer isso, o impasse será enorme.
Marcelo Galvão: Os sindicatos hoje já têm uma
posição muito forte de preparar a população
desempregada para se desenvolver em novas ocupações.
Estamos numa sociedade de serviços. Esta é a grande
mudança. O produto tende a custo zero. Mas os serviços
é que serão o diferencial.
J.A. Zuffo: Na economia da Infoera, as empresas não
vão mais trabalhar isoladas, vão trabalhar em
redes de desenvolvimento englobando usuários e até
mesmo concorrentes, num esquema de desenvolvimento distribuído.
Provavelmente o trabalho assalariado vai diminuir muito mas
vai haver o crescimento do teletrabalho através da rede,
do trabalho autonômo e das cooperativas. O uso da Internet
vai ser fundamental. O conhecimento de uma língua estrangeira
é fundamental, mas os tradutores eletrônicos estão
se aperfeiçoando muito. Língua não vai
ser problema. A questão é desenvolver a criatividade
e o Brasil, se fizer isto, terá vantagens ímpares
na Infoera.
Marcelo Galvão: O Olodum é um exemplo de grupo criativo
que trata amplamente o problema social. A presença na
sociedade de ONGS é muito importantes, muito do que se
faz de inovador hoje vem destes grupos.
Criatividade não é ter idéia.
Temos o hábito de termos idéia sobre o que os
outros devem fazer e isto é ser cítico e não
criativo. Ser criativo é ter idéia e conseguir
colocá-la na prática. Criatividade tem a ver com
sonho, com competência e realização pessoal.
Como vai ser a fábrica do futuro?
J.A. Zuffo: Vai ser uma fábrica flexível
e que se adapte às inovações. Capacidade
para atender demandas personalizadas. O consumidor poderá
através da Internet, escolher o carro, fazer as inúmeras
especificações, e receber sua encomenda em casa
em duas semanas.

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