Apresentação  Programas Na TV

Programas

1. EMPREGO E TRABALHO: O FUTURO É AGORA

Saiba Mais

Criatividade, Transformação e Empregabilidade
Desafio e Ameaça de RH

Marcelo Marques Galvão

Temos pela frente um final de década e de século, que será no mínimo emocionante. Temos pouco tempo para que nossas empresas, famílias e sociedade estejam preparadas, sendo capazes de garantir uma sobrevivência feliz e realizadora em um cenário tão claro de globalização e de tecnologia.

Infelizmente a palavra da moda -"empregabilidade" -, em lugar de sinalizar direção e oportunidades, tornou-se e passou a ser percebida de forma a gerar exigências e ansiedade em vez de garantir a liberdade e oportunidades de aproveitamento de talentos. O perfil ideal que se desenha a partir da análise do cenário competitivo e implacável leva a uma grande busca de garantir algum lugar e um atendimento às exigências de mercado, sem um contato mais profundo com os projetos e talentos pessoais.

Estamos novamente diante de mudanças e nos esquecemos de que "as pessoas não resistem às mudanças, elas resistem a ser mudadas", como já disse Kurt Lewin. Neste sentido, podemos estar ajudando a aumentar a resistência, em lugar de apoiar as pessoas a operarem as mudanças.

A escolha entre manter e transformar

Pode estar acontecendo com os profissionais o mesmo processo que percebemos nas empresas- buscar sobrevivência a qualquer preço- com base em cenário ameaçador, abrindo mão da essência e do real sentido da existência daquela entidade.

Para que as empresas sejam fortes não se pode esquecer a sua verdadeira vocação (valores, visão impulsionadora e missão escolhida- aquelas que fazem sentido aos corações, fígados e mentes). Na hora em que agimos em função das ameaças tão fatalista, nos tornamos massa pasteurizada, só restando uma forma de agir e perdemos o nosso diferencial.

Muito tem-se discutido sobre métodos e técnicas de administração, gerenciamento e filosofia empresarial havendo disponível vasta bibliografia acerca dos modelos que, de maneira bem-sucedida, equacionaram fórmulas, técnicas e até "filosofias" infalíveis para assegurar o sucesso garantido com baixo risco. Essas teorias vêm gerando diversos ciclos e programas de transformação que têm sido implantados nas organizações, obtendo resultados diferenciados. Entretanto, muitas vezes vemos propostas e pressupostos de teorias que parecem um livro já lido. Mesmo empregabilidade tem sido uma ameaça que parece bastante familiar.

Enquanto as tese, experiências e modismos parecem trazer novidades, observamos um denominador comum: as pessoas/áreas que tentam puxar/empurrar a mudança, mantêm um distanciamento da "alma do negócio", e não raro encaram as áreas produtivas ou ligadas a mercado como resistentes às mudanças.

Enquanto rotulam os órgãos de linha, as áreas internas se julgam capazes de dizer o que é necessário. Nesse sentido os programas e a filosofia de qualidade têm ajudado muito a romper com a miopia, e têm mostrado, às vezes duramente, que áreas (RH, por exemplo) que se julgavam de vanguarda são um poço de conservadorismo.

Os grandes desafios só são superados quando alguém tem vontade e acredita ser capaz de superá-los e a partir daí cria alternativas e implementa as ações. Surgindo problemas, empenha-se em resolvê-los sem perder de vista o desafio e o cliente final.

Por mais que se diga que precisamos contar com a criatividade das pessoas, queremos que criem sem que questionem o estabelecido. Devemos lembrar que é natural o pulsar entre o manter e transformar sem necessidade de optar por um único sentido. É natural para as pessoas a busca da previsibilidade e da superação, não é preciso nada mais do que o compartilhamento do poder, pois a sabedoria do sistema social vai achar o equilíbrio. Basta que os apoiadores do processo social não insistam em controlar o próprio processo social.

Polir as lentes ou usar os óculos

A criatividade, embora seja natural e uma das principais formas de realização do ser humano, tem sido bloqueada por diversos fatores sociais e culturais. Nas organizações, funde-se com o "processo decisório" e pode ser limitada pelas relações de poder ou mesmo procedimentos que inibem o processo criativo.

Muitas vezes, temos programas que ajudam a dar uma cor mais bonita e divertida, mas que transformam a criatividade em uma série de exercícios que teorizam a decisão ou que demostram como a criatividade pode ser gostosa.

Criar é muitas vezes um processo dolorido. Não basta só aprender técnicas, pois podemos estar levando à frustração. No fundo, precisamos parar de pensar só nas ferramentas (lentes) se elas não ajudam a criar uma nova realidade. Quantas pessoas não dominaram técnicas e são criativas, ao mesmo tempo em que pessoas que conhecem todas as técnicas continuam agindo previsível e mecanicamente.

No plano cognitivo, quase todas as pessoas sabem enumerar as etapas lógicas do processo de diagnosticar problemas e tomar decisões; paradoxalmente, não exercem a "liberdade" necessária para implementar autonomamente as decisões.

Dessa forma, acreditamos que criatividade deve contribuir para:

  • resolver eficazmente os problemas;
  • utilizar métodos simples e descomplicados para diagnosticar problemas;
  • formular alternativas, fugindo dos padrões convencionais;
  • correr riscos de maneira calculada;
  • cuidar para que a decisão tomada seja metabolizada pela empresa;
  • fazer com que as pessoas afetadas sejam envolvidas;
  • conceber mecanismos ágeis e flexíveis de avaliação e controle.

Para que se comece a construir um clima apoiador à criatividade, a proposta de meta é eliminar a crise de impotência expressa pela questão: "Se eu sei, que forças me impedem de fazer?" Para tanto, temos alguns desafios: O primeiro é extrair de cada funcionário o seu sonho e sua visão crítica da realidade. O segundo é permitir que o conflito aflore com perspectiva de compartilhamento de poder e como força de consolidação de um negócio único. O terceiro é criar um contexto que enfatize não só a solução de problemas, mas a construção conjunta e prática gerando a superação dos obstáculos.

E agora, RH ?

Já avançamos muito com relação a quebrar o pedestal onde a área de Recursos Humanos se colocava, porém tendemos a insistir em querer transformar os outros ou mesmo a realidade.

É bom lembrar que o processo de transformação consiste fundamentalmente em abandonar o velho para criar condições para poder encontrar uma nova maneira de ser.

A cada situação nova que se apresenta há um aumento da consciência do Eu desvinculado do restante. Há um sentimento de desproteção por não ter os mecanismos ou mesmo as barreiras para lidar com o ambiente, mas ao mesmo tempo uma certeza de que precisa ser diferente.

As mudanças realmente acontecem quando diante de situações reconhecemos que não temos outra alternativa se não dar nova forma a nós mesmos.

A transformação passa a ser um movimento cotidiano para as pessoas que tomam a decisão de enfrentar a sua evolução. A maioria das pessoas quer evoluir e, para tanto, deve deixar de ser o centro do mundo e de achar que tem as ferramentas e as idéias que vão solucionar as distorções que encontra.

No momento em que o novo acontece desvinculado de nossa decisão, a estrutura do ego que nós tínhamos já não nos serve, pois não é possível permanecer ileso à realidade. Portanto, nosso maior processo de transformação é interno para nossa adaptação, dando nova forma aos nossos esquemas de funcionamento. Manter nosso comportamento antigo pode até nos causar problemas muito graves.

Através de cada novo desafio podemos aprender sobre nós e sobre o mundo e, se transformamos e adaptamos o nosso comportamento, garantimos a nossa sobrevivência e felicidade.

Não podemos pensar em empregabilidade dos profissionais de RH baseados em conhecimento de informática e de idiomas.

Não podemos pensar em empregabilidade dos profissionais de RH baseados em programas e procedimentos que disponibilizam para seus usuários, mantendo todas as áreas clientes a serviço dos sistemas de RH.

Não podemos mais:

  • falar de qualidade de vida e de felicidade, se não formos um exemplo vivo disso;
  • falar de transformação, se não entendemos a essência de nosso negócio;
  • falar da resistência dos outros, se não temos nosso movimento;
  • falar do novo, se não jogamos o velho fora;
  • falar.....

Fundação Vanzolini/ Projeto E