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1. EMPREGO E TRABALHO: O FUTURO É AGORA

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O ambiente profissional no futuro
João Antônio Zuffo

No ambiente da Infoera ocorrerá uma razão máxima de mudança e todas as informações e novidades estarão disponíveis quase que instantaneamente em âmbito mundial. Neste ambiente situar-se-á a área de atuação dos profissionais do futuro, os quais deverão ter uma base cultural científica e humanística muito ampla e preparados psicologicamente para o desafio da máxima mutabilidade. Hoje, se noticia a existência de executivos com problemas de fadiga (stress) emocional em face a rapidez das mudanças culturais e tecnológicas. Este problema será sem dúvida agravado com a aceleração da taxa de mudanças, não se restringindo apenas a executivos, mas espraiando-se a amplos setores de todo tecido social. (1-5)

A atuação dos profissionais no futuro terá forte possibilidade de atingir âmbito planetário, internacionalizando-se intensamente. A própria difusão ampla de informações levará a esta situação. Usamos o termo planetário e não globalização, no sentido de que a divulgação de informações e as próprias atividades financeiras e a movimentação de capitais estão se globalizando e suas decisões se centralizando de forma intensiva. Este fato tem sido generalizado para todos os demais campos de atividade humana, quer pela grande imprensa e quer de modo geral por pessoas pouco informadas. Esta generalização do conceito de globalização não é contudo verdade absoluta, existindo filigranas e particularidades desta generalização que a torna extremamente desinteressante para as nações subdesenvolvidas.

No caso das atividades profissionais propriamente ditas, estas sempre estarão ligadas a particularidades locais, embora as soluções e atendimento possam vir de qualquer parte. Num mundo saturado de informações, obviamente sempre existirão as pessoas capazes de discernir entre as informações úteis e inúteis, selecionando mais rapidamente o "caminho das pedras" para a solução de determinado problema (6-11). Obviamente também, pessoas envolvidas com determinado ambiente social conhecem melhor suas dificuldades e problemas, estando em melhores condições de resolvê-los, desde que tenham competência para tal.

Insistimos que a produtividade do profissional típico crescerá imensamente, através de seus sistemas informatizados de apoio ligados em rede mundial. Na área de engenharia, por exemplo, o modelamento físico de peças, dispositivos e equipamentos atingirá níveis de precisão muito altos, permitindo o desenvolvimento de artefatos precisos, e de altíssima qualidade. Este aumento de produtividade fatalmente afetará o nível de emprego, como já está afetando, gerando uma grande massa de pessoas altamente instruídas e qualificadas, porém desocupadas e certamente insatisfeitas.

Evidentemente, o aumento do custo de geração de emprego industrial per capita associado ao aumento progressivo de produtividade tornam extremamente elevado, nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, o valor de investimentos necessários para a criação de um número suficiente de novos postos de trabalho capazes de absorver todas as pessoas. Contraditoriamente e paralelamente, os novos empregos gerados exigirão pessoas de maior nível intelectual e maior discernimento para que possam tomar as decisões no instante adequado.

O maior desenvolvimento do setor terciário, sobretudo enfatizando as áreas de ensino, pesquisa e das artes de modo geral, associados ao incentivo contínuo ao trabalho autônomo e à criação de micoempresas em todos os setores de atividade, nos parece um caminho acertado, porém claramente insuficiênte. Bolsas de estudo concedidas de forma extremamente ampla e generosa, associadas a programas de educação continuada, nos parece outro caminho complementar bastante viável, ainda mais se associados a programas de maciça reciclagem e formação de recursos humanos, não só para que estes recursos tenham condições de acompanhar os desafios da Infoera, mas para que se tenha também melhor distribuição dos bens gerados, pela criação de postos de trabalho mais nobres.

Insistimos que a ausência de atividades intensivas e autóctones de pesquisa e desenvolvimento tecnológicos em países com economias de médio a grande porte gerará grandes massas de desempregados e de profissionais de alto nível insatisfeitos. Sendo estas pessoas de alto nível intelectual e pertencendo normalmente à categoria de formadores de opinião, a insatisfação delas acabará propagando-se a todos os níveis sociais, criando grandes tensões e levando a uma situação de ruptura do tecido social.

Num mundo, onde a velocidade de comunicação com o resto de todo o planeta é apenas limitada pela capacidade do cérebro em se comunicar com o meio externo, na área industrial, além de precisão de modelamento, torna-se fundamental tanto a rapidez de colocação de produtos na praça, como a velocidade de modificação e adaptação desses produtos às exigências do mercado consumidor. A partir do uso da computação visual e gráfica tridimensional, é possível nos dias atuais a geração de protótipos de peças e equipamentos em questão de horas.(12-14). Em linhas de produção, estes protótipos devem apresentar alta qualidade e permitir alta produtividade, sem as quais não existirão condições para a competitividade internacional.

O acesso a conhecimentos tecnológicos avançados será cada vez mais privilegiado e a custo cada vez maior. Estas informações serão cada vez mais resguardadas cuidadosamente, como moeda de alto valor. Com isso, as informações, sobretudo científicas e tecnológicas, tendem a ser a própria moeda de troca, e as empresas que não as tiverem ou mesmo que não tenham capacidade de absorvê-las em toda sua abrangência, e transformá-las de forma útil a seu favor, estarão condenadas a não competitividade e encerrarão suas atividades em curto prazo de tempo (15-16). Essas assertivas são válidas também para as nações, que não possuindo um acervo mínimo de conhecimentos científicos tecnológicos, estarão condenadas ao subdesenvolvimento e a subserviência perpétuos.

É preciso ter presente que, em todo o mundo, centros de pesquisa e desenvolvimento voltados a pesquisas científicas e a tecnologias de ponta são fortemente subsidiados pelos seus governos, visando a capacitar tecnologicamente as empresas locais, de forma que estas tenham certa quantidade de acervo cultural-tecnológico e competência para discernir e absorver novas tecnologias, que surgem no mercado em escala cada vez mais intensa.

Num ambiente de desenvolvimento de pesquisas em tempo real, o acesso às informações e às facilidades tecnológicas é essencial. Este acesso dar-se-á, como hoje já ocorre, através de Bancos de Tecnologia, Bibliotecas e Laboratórios Virtuais situados em diferentes partes do mundo. (17-21)

Como já nos referimos, este acesso às tecnologias pode eventualmente tornar-se muito oneroso, eliminando a possibilidade da competitividade industrial local. Enfatizamos que a única possibilidade de sobrevivência industrial de uma nação é que esta também disponha de um acervo de conhecimentos tecnológicos que permitam não só conhecer dados sobre a qualidade das tecnologias que estão sendo adquiridas por suas indústrias e centros de pesquisa, como também dispor de moedas de permuta para o acesso às novas tecnologias.

É possível pensar também na hipótese de abandono completo do setor industrial e dessa forma permitir que uma nação se dedique integralmente aos setores agropecuários e setores terciários da economia. Todavia estes setores não estão livres das conseqüências da revolução tecnológica introduzida pela Infoera.

O setor agropecuário necessita de novas tecnologias da Infoera tal como qualquer outro setor de atividade humana. Sua gerência requer informatização não só para automatização e uso eficiente de seus próprios dados, como também necessita de informações em nível mundial de cotações e tendências mercadológicas. Previsões de tempo e clima por supercomputador são imprescindíveis não só para uso da própria empresa, mas também para avaliar as condições produtivas de seus concorrentes em nível mundial. Estas previsões irão definir os investimentos a ser realizados em diferentes culturas agrícolas. O desenvolvimento por Bioengenharia, de novas espécies de plantas e raças de animais mais produtivos, exigirão conhecimentos e infra-estruturas tecnológicas tão ou mesmo mais avançadas do que as existentes no setor industrial. Isto sem contar mais a longo prazo com o avanço da Robótica e automação especializadas para o setor agropastoril.

Similarmente o setor terciário da economia também dependerá fundamentalmente de conhecimentos tecnológicos e a automação deste setor deverá ocorrer de forma muito mais intensiva do que nos demais setores econômicos. Não é à toa que todos os grandes bancos têm, de uma forma ou outra, uma associação estreita com empresas de Informática.

Tudo isso mostra a necessidade imperiosa de um país com economia de médio a grande porte investir pesadamente em pesquisa e desenvolvimento científico tecnológico, além de manter uma estrutura de ensino e pesquisa que permita à sua população o acesso maciço aos conhecimentos científicos tecnológicos modernos.

A nosso ver, a existência de pesquisa e desenvolvimento em larga escala, priorizada e fortemente subsidiada por todos os níveis de governo, associada a um sistema de ensino de alta qualidade são essenciais não só para minimizar o desemprego de profissionais das mais diferentes áreas da atividade humana, mas também garantir a sobrevivência desses países como nações medianamente industrializadas e soberanas.

Notas

1- Norman D.A. - Design the Future, Scientific American, Vol. 273, n.º 3, September 1995, pag. 159-160.

2- Lanhan R.A. - Digital Literary, Scientific American, Vol. 273, n.º 3, September 1995, pag. 160-161.

3- Varian H.R - The Information Economy, Scientific American, Vol. 273, nº 3, September 1995, pag. 161-162.

4- Zuboff S. - The Empero's New Work Place, Scientific American, Vol. 273, nº 3, September, 1995, pag. 162 - 164.

5- Lucky R.W. - What Technology Alone Cannot Do, Scientific American, Vol. 273, nº 3, Sepetember 1995, pag. 164-165.

6- Keaton J. and Hamilton S. - Employment 2005: Boom or Burst for Computer Profissionals? Computer, Vol. 29, nº 5, May 1993, pag. 87-98.

7- Fowler C.A. - DOs and DON'Ts for Young Ees, IEEE Spectrum, Vol., nº, October 1993, pag.59-61.

8- Bell E.T. - Jobs at Risc, IEE Spectrum, Vol. 30, nº 8, August 1993, pag. 18-35.

9 - Suchaman L. - Guest Editor's Introduction: Representations of Work, Communications of the ACM, Vol. 38, nº 9, Sepetember 1995, pag. 33-35.

10 - Sachs P. - Transforming Work: Collaboration, Learning and Design, Communications of the ACM, Vol. 38, nº 9, September 1995, pag. 36-44.

11- Suchman L. - Making Work Visible, Communications of the ACM, Vol. 38, nº 9, Sepetember 1995. Pag. 56-65.

12- Kyng M, - Making Representations Work, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 9, September 1995, pag. 46-55.

13- Gomory R.E. - National Productivity and Computers, Computer, Vol. 28, nº 7, July 1995, pag. 66-72.

14- Kaplan G. - Introduction, Concurrente Engineeering, IEEE Spectrum, Vol. 31, nº 6, June 1994, pag. 33.

15- Mackey W. A. and Carter, J.C. - Measures of Success, IEEE Spectrum, Vol. 31, nº 6, June 1994, pag. 33-38.

16- Dominach R.F. - Design Reviews at a Distance, IEEE Spectrum, Vol. 31, nº 6, June 1994, pag. 39-40.

17- Hopf S. and Warneke T. - Simultaneos Simulations, IEEE Spectrum, Vol. 31, nº 6, June 1994, pag. 41-43.

18- Lukerm M. - NSF's New Program for High, Perfomance Internet Conections, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 10, October, 1996, pag. 27-28.

19- Levine M. - Proffessionalism, IEEE Potentials, Vol. 12, nº 3, October 1993, pag. 5-7.

20- Thiel I. - Ethical Engineering, IEEE Potentials, Vol. 12, nº 3, October 1993, pag. 8-10.

21- Dwon J. - The Art of Being Employed, IEEE Potentials, Vol. 13, nº 3, October 1994, pag. 6-8.

22- Balaguer J.F. and Gobetti E. - 3 D User Interfaces for 3D Animation, Computer, Vol. 29, nº 8, August 1996, pag. 71-78.

23- Diep T.A. and Shen J.P. - VMW: A Visualization-Based Microarchiteture Workbench, Computer, Vol. 28, nº 12, December 1995, pag. 57-65.

24- Laurel B. - Virtual Reality, Scientific American, Vol. 273, nº 3, September 1995, pag. 70.

25- Fayyad U., Haussles D. and Stoloz P. - Mining Scientific Data, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 11, November 1996, pag. 51-57.

26- Imielinski T. and Mannila H. - A Database Perspective on Knowledge Discovery, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 11, November 1996, pag. 58-64.

27- Glumour C. et al - Statistical Interference and Data Mining, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 11, November 1996, pag. 35-41.

28- Fayyad U. , Piatetsky-Shapiro G. and Smith P. - The KDD Process for Extracting Useful Knowledge From Volumes of Dta, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 11, November 1996, pag. 27-34.

29- Brachman R. J. et al - Mining Business Databases, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 11, November 1996, pag. 42-48.

30- Inmon W.H. - The Data Warehouse and Data Mining, Communications of the ACM, Vol. 39, nº 11, November 1996, pag. 49-58.

31- Gray J. - Evolution of Data Management, Computer, Vol. 29, nº 10, October 1996, pag. 38-46.

Fundação Vanzolini/ Projeto E