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Boletim 7

 

29 de Maio a 04 de Junho de 1999

Resenha

Paul Singer propõe economia solidária
como alternativa ao liberalismo

O autor começa criticando o uso indiscriminado da palavra desemprego. Em primeiro lugar, confunde-se falta de ocupação com falta de emprego, desconsiderando-se outras formas de ocupação que não através do assalariamento como as múltiplas formas de atividades autônomas que estão crescendo no Brasil e no mundo.

O autor entende ainda que o conceito de precarização do trabalho descreve melhor o que está ocorrendo no mercado de trabalho do que o conceito de desemprego. A precarização do trabalho ocorre também nos países ricos, mas com agravantes nos países periféricos, onde a precarização do trabalho leva ao aumento da pobreza e miséria e da exclusão social. Aliás é para os excluídos que Paul Singer volta o seu olhar identificando as causas e tipos de exclusão social no Brasil e buscando, ao final, formular uma proposta de combate à exclusão: a economia solidária. Trata-se de criar oportunidades através de um novo setor de reinserção produtiva que seria formado por cooperativas, pequenas empresas e trabalhadores por conta própria. A condição básica é que estes agentes tenham acesso a um mercado protegido da competição externa para os seus produtos.

O autor vê no cooperativismo de produção e consumo uma maneira de organizar este novo setor. Organizando-se as duas pontas, a produção e o consumo, estaria se assegurando o compromisso básico dos cooperados de dar preferência aos produtos da cooperativa, adotando-se uma moeda própria para as transações internas ao sistema e criando instituições de ajuda e crédito aos cooperados através de serviços de orientação técnica, legal, contábil e constituição do "banco do povo" que viabilize o acesso ao crédito mais barato pelos cooperados.

Singer busca comprovar a viabilidade da proposta a partir de experiências bem sucedidas como a das Cooperativas Mandragon, na Espanha, dos kibutz em Israel e dos LETS (Sistema Local de Emprego e Comércio), no Canadá.

O argumento "tático", como qualificado pelo autor, em favor das economia solidária, é que ela levaria à diminuição da oferta de trabalho, resgatando a representatividade e o poder de barganha dos sindicatos de trabalhadores. A longo prazo, o autor chega a sonhar com a possibilidade da economia solidária ser uma competidora do grande capital quando os homens poderiam finalmente escolher e experimentar, de forma pacífica, alternativas ao capitalismo de organizazação da vida econômica e social.

Título: Globalização e Desemprego - Diagnóstico e Alternativas
Autor: Paul Singer
Ano: 1999
Editora: Contexto
Fone: (011) 832-5838
e-mail: contexto@wenet.com.br
Compra on line (R$13,80):
Livraria Siciliano

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