|
Paul Singer propõe economia
solidária
como alternativa ao liberalismo
O autor começa criticando
o uso indiscriminado da palavra desemprego. Em primeiro
lugar, confunde-se falta de ocupação com falta
de emprego, desconsiderando-se outras formas de ocupação
que não através do assalariamento como as
múltiplas formas de atividades autônomas que
estão crescendo no Brasil e no mundo.
O autor entende ainda que o conceito
de precarização do trabalho descreve melhor
o que está ocorrendo no mercado de trabalho do que
o conceito de desemprego. A precarização do
trabalho ocorre também nos países ricos, mas
com agravantes nos países periféricos, onde
a precarização do trabalho leva ao aumento
da pobreza e miséria e da exclusão social.
Aliás é para os excluídos que Paul
Singer volta o seu olhar identificando as causas e tipos
de exclusão social no Brasil e buscando, ao final,
formular uma proposta de combate à exclusão:
a economia solidária. Trata-se de criar oportunidades
através de um novo setor de reinserção
produtiva que seria formado por cooperativas, pequenas empresas
e trabalhadores por conta própria. A condição
básica é que estes agentes tenham acesso a
um mercado protegido da competição externa
para os seus produtos.
O autor vê no cooperativismo
de produção e consumo uma maneira de organizar
este novo setor. Organizando-se as duas pontas, a produção
e o consumo, estaria se assegurando o compromisso básico
dos cooperados de dar preferência aos produtos da
cooperativa, adotando-se uma moeda própria para as
transações internas ao sistema e criando instituições
de ajuda e crédito aos cooperados através
de serviços de orientação técnica,
legal, contábil e constituição do "banco
do povo" que viabilize o acesso ao crédito mais
barato pelos cooperados.
Singer busca comprovar a viabilidade
da proposta a partir de experiências bem sucedidas
como a das Cooperativas Mandragon, na Espanha, dos kibutz
em Israel e dos LETS (Sistema Local de Emprego e Comércio),
no Canadá.
O argumento "tático",
como qualificado pelo autor, em favor das economia solidária,
é que ela levaria à diminuição
da oferta de trabalho, resgatando a representatividade e
o poder de barganha dos sindicatos de trabalhadores. A longo
prazo, o autor chega a sonhar com a possibilidade da economia
solidária ser uma competidora do grande capital quando
os homens poderiam finalmente escolher e experimentar, de
forma pacífica, alternativas ao capitalismo de organizazação
da vida econômica e social.
Título: Globalização
e Desemprego - Diagnóstico e Alternativas
Autor: Paul Singer
Ano: 1999
Editora: Contexto
Fone: (011) 832-5838
e-mail: contexto@wenet.com.br
Compra on line (R$13,80): Livraria Siciliano
|