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Boletim 10

 

18 a 24 de Junho de 1999

Resenha

Os 50 melhores investimentos para o século 21

Diego Vietia é expert em investimentos globais sendo que há mais de 20 anos busca boas oportunidades de investimento para os seus clientes e fundos de investimento que gerencia.

O livro é dedicado ao capital produtivo de longo prazo, elegendo como promissoras 50 empresas em várias partes do mundo e seus negócios em 6 segmentos:

  • educação,
  • entretenimento,
  • meio ambiente,
  • segurança pessoal,
  • biotecnologia,
  • telecomunicações.

Não se trata, portanto, de um livro voltado para pequenos empreendedores (os que colocam a "mão na massa" gerenciando o empreendimento) e sim aos médios e grandes investidores que queiram comprar rentáveis ações de empresas produtivas, no entanto a leitura pode ser útil aos empreendedores, na medida em que podem nele identificar pistas para novos empreendimentos.

Lançado em 1997, nos Estados Unidos, o livro, por um lado, pode parecer ultrapassado porque afirma coisas óbvias demais para os dias de hoje. O que apresenta-se como tendência, hoje pode ser um paradigma. Muitas das empresas citadas como promissoras já mudaram substancialmente sua gestão e propriedade através dos processos de globalização da economia: fusões, incorporações, privatizações etc.

Por outro lado, nada há que desqualifique as previsões e tendências apontadas (nem mesmo a crise asiática). Em sua grande maioria, as análises e tendências apontadas continuam valendo, ou porque estão em franco processo de confirmação ou porque ainda permanecem como tendências dominantes.

EDUCAÇÃO: o autor destaca o software educacional - aliado ao entretenimento - como o grande negócio beneficiado pela nova atitude dos americanos (sociedade e governo) em valorizar a educação e em promover a educação baseada em computadores.

Aqui o autor entende que os melhores negócios não estão nas grandes, tipo Microsot e Nintendo, e sim em pequenas empresas de software - hoje já não tão pequenas e sim grandes empresas de capital aberto - como:

  • a Broderbund Software, criada em 1980 por dois irmãos, a qual em 1996 tinha um rendimento de 186 milhões de dólares;
  • Scholastic Corporation, uma editora de livros, vídeos e softwares para a educação infantil;
  • Harcourt General, proprietária de redes de cinema e lojas de departamento e de empresas produtoras de software de educação e entretenimento;
  • Informatic Holding, originária de Cingapura e beneficiada pelo governo local e pelo crescimento da economia asiática antes da avassaladora crise, a empresa cresceu globalmente através de franquias de suas escolas de informática e outros empreendimentos em educação.

INDÚSTRIA DE ENTRETERIMENTO: são três elementos básicos da superestrada da informação - conteúdo, distribuição e computação.

A combinação de conteúdo e distribuição - principalmente criação e veiculação de programas de tv - representa as melhores oportunidades do setor para a próxima década. No entanto o autor alerta para as possibilidades de fracassos, porque a demanda esperada pode não se concretizar e a concorrência na oferta pode levar a uma queda abrupta nos preços.

As empresas mais promissoras, segundo Vietia, são:

  • a America On Line - provedor de Internet;
  • a Microsot - produção de conteúdos;
  • a Viacom - produção de programação infantil para a tv e distribuição, proprietária de canais de tv, distribuidoras e locadoras de vídeo etc.;
  • a News Corporation - produção e distribuição em tv e cinema;
  • a Television Broadcast, de Hong Kong, - atuando em produção e distribuição de programas de tv, principalmente para países asiáticos;
  • a Berjaya Leisure, da Malásia - com negócios em vários segmentos, como hotelaria, cassinos, transporte etc.;
  • a Sony - produção de hardware para vídeo e áudio, assim como na produção de conteúdos para entretenimento, entre outros segmentos;
  • a Village Roadshow, australiana - distribuição e produção de filmes, parques climáticos, rádios FM e centros de lazer.

MEIO AMBIENTE: a valorização do meio ambiente e as leis mais rígidas regulamentando o uso do meio ambiente pela atividade econômica representam uma faca de dois gumes: oportunidades para empresas de despoluição e descontaminação ambiental e dificuldades para a indústria poluidora que é sobrecarregada com impostos, ameaças de extinção e transferências de suas operações para outros territórios que não o dos países desenvolvidos.

O Programa de Restauração Ambiental do Departamento de Defesa dos Estados Unidos despendeu, em 1993, 2 bilhões de dólares na contratação de empresas despoluidoras para recuperação de áreas das bases militares americanas.

O segmento privado americano também recebe muitas verbas e incentivos para operações de descontaminação ambiental. As empresas que mais tem sido beneficiadas nestas contratações e, portanto, significando excelentes oportunidades de negócios são as americanas, e outras empresas não americanas, como:

  • OHM Corporation - tecnologia e serviços de remoção de resíduos, descontaminação de resíduos com baixa radioatividade, vazamento de óleo, tecnologias de reciclagem etc. - cujo maior cliente é o governo norte americano. A previsão é que a empresa lucre meio bilhão de dólares por ano;
  • Puretec - desenvolve e comercializa processos de reciclagem de embalagens de plástico.
  • Waste Management International - empresa européia que atua em vários países no gerenciamento de resíduos sólidos e perigosos, incluindo coleta, transporte, armazenamento, tratamento, reciclagem e operação.

EMPRESAS DE SEGURANÇA: fabricantes e distribuidoras de produtos como sistemas de alarmes, cadeados, cofres, sensores, além de empresas que atuam na construção de presídios e prestadoras de serviços em treinamento, segurança pessoal, transporte em carros blindados etc.

Os pesos pesados mais promissores do setor são:

  • a Corrections Corporations of America - construção de presídios;
  • a Societé Genérale de Surveillance, sediada em Genebra, Suíça - atuando em fiscalização internacional, análise e investigação de operações de importação e de exportação realizadas por grandes conglomerados;
  • a Applied International Holdings, de Hong Kong - fabricante de alarmes para veículos e residências, além de outros equipamentos eletrônicos para segurança pessoal (telefone ativado por voz humana, localizador de veículos etc.) e não eletrônicos (travas para portas, tratamento antiinflamável para tecidos etc.);
  • a ADT - seu principal negócio é comercialização de veículos através de leilões, e o mais rentável é na área de proteção com fornecimento de sistemas eletrônicos de segurança.

BIOTECNOLOGIA E AGROBIOTECNOLOGIA: fundamentais para a produção de alimentos e remédios.

As empresas com tendências mais lucrativas são:

  • a Calgene, empresa californiana - muito conhecida pelo desenvolvimento para a Campbell, por meio de engenharia genética, do tomate "Flavr Savr" que se preserva mais tempo e dispensa refrigeração. Também desenvolve processos para produção de algodão resistente a pragas e óleo de canola com baixos teores de colesterol, assim como desenvolve tecnologias de transformação de plastícios de plantas para produção de matérias-primas para a indústria farmacêutica;
  • a Novo Nordisk, européia, - conhecida pela produção de insulina, desde 1925, e pela produção da penicilina, bem como dos antibióticos de segunda geração, da heparina etc.;
  • a Microcide Pharmaceutical - projetos de pesquisa para vencer a resistência bacteriológica.

TELECOMUNICAÇÕES: o autor chama a atenção para a China, tanto pelo fato de ser um grande mercado consumidor, como pela competitividade de sua produção com base em baixíssimos salários.

A China, portanto, representa excelente negócios para investidores e detentores de know how no setor.

Além da Hong Kong Telecom, são apontadas as seguintes empresas:

  • Cable Wireless, britânica - prestação de serviços de telecomunicações com forte atuação no mercado asiático, além de grande distribuidora de telefones celulares;
  • Telebrás (aquela que era nossa) - considerada pelo autor como um dos negócios mais atraentes devido ao tamanho do mercado brasileiro para telefonia e baixíssimo valor das suas ações (nove vezes menor do que o valor da empresa considerados os seus lucros);
  • STET e a Telecom Itália, italianas;
  • Indosat, Indonésia - com atuação em mais de 120 países, principalmente em serviços internacionais de telecomunicações comutadas e outros.

Além destes setores, o autor indica mercados nacionais de economias emergentes e empresas situadas em várias partes do mundo como excelentes negócios para o mercado de ações.

Dedica também um capítulo aos fundos mútuos como uma das maneiras mais práticas de investir em tendências emergentes.

Cabe aos empreendedores, de pequeno e médio porte, extrair das entrelinhas desta leitura as dicas de negócios que possam florescer nas "bordas" dos mais promissores, cujas "sobras" possam significar, relativamente, promissores negócios para pequenos capitais empreendedores

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